Com Meirelles-Jucá, Temer quer reforçar atuação fiscal

Com Meirelles-Jucá, Temer quer reforçar atuação fiscal

Eventual governo do vice precisará de atuação forte no Congresso para resolver rombo das contas públicas

Adriana Fernandes e Ricardo Brito

26 de abril de 2016 | 15h02

(Henrique Meirelles - Andressa Anholete/Estadão)

(Henrique Meirelles – Andressa Anholete/Estadão)

Com o eventual afastamento da presidente Dilma Rousseff, a possibilidade de o vice-presidente Michel Temer indicar o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles para o Ministério da Fazenda e o senador Romero Jucá (PMDB-RR) para a pasta do Planejamento tem o objetivo de reforçar a atuação no Congresso Nacional de um eventual governo do peemedebista na área fiscal. Mesmo que, por ora, não se saiba o que será feito.

Economistas do mercado têm apontado reservadamente como uma lacuna em desfavor de Meirelles o fato de ele não ter experiência fiscal. Essa, porém, é uma visão rasa sobre a forma de atuação dele, uma vez que a autoridade monetária – Meirelles comandou o BC entre 2003 e 2011 – tem de levar em conta a situação fiscal do País na hora da fixação dos juros da economia brasileira.

Mas a eventual escolha da dupla – que ganha força no entorno de Temer – parte da premissa de que será necessário fazer esforço importante para encontrar saídas para o rombo estrutural das contas públicas. O País fechará 2016 com o terceiro ano seguido de déficit fiscal e o próprio vice, tão logo assuma interinamente, terá como primeiro grande desafio no Congresso aprovar a revisão da meta deste ano sob pena de paralisar a máquina pública.

Sob esse prisma, Romero Jucá é visto por aliados do vice como peça fundamental nesse quebra-cabeça. O senador foi um dos principais artífices, como relator e interlocutor, das mudanças das metas fiscais, respectivamente, de 2014 e 2015 no Legislativo. Vem alertando para a crise das finanças nas gestões Guido Mantega, Joaquim Levy e Nelson Barbosa.

Desde o ano passado – e isso ele falava para Levy -, Jucá vinha defendendo uma posição de que o governo realize superávits primários mais baixos de forma a não estrangular o uso de recursos públicos para investimentos. Se virar ministro, pode propor essa linha de atuação na direção do gradualismo. Para o senador, o importante inicialmente é retomar a atividade econômica e restabelecer a confiança para, com o retorno da arrecadação tributária, ter maior previsibilidade na questão fiscal.

Também os dois podem fazer uma dobradinha para sugerir medidas duras ao Congresso, como a Reforma da Previdência.

Meirelles e Jucá já trabalharam juntos. Jucá foi líder do governo Lula desde 2006, período em que Meirelles comandava o BC. Nesse cenário, o senador José Serra (PSDB-SP), amigo pessoal de Temer, com quem jantou e o aconselhou no domingo, fica em segundo plano para comandar a Fazenda.

Não bastassem as dificuldades internas do PSDB para liberá-lo a participar do governo, a simples presença de Serra em um eventual ministério Temer será um constrangimento para o ex-presidente do BC. Em novembro passado, o tucano disse que Meirelles foi o pior presidente do BC que o País já teve, chamando-o ainda de ignorante e especulador.

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