Crise amarra Barbosa, que tenta acenar ao PT

Agravamento da crise reduz raio de ação do ministro da Fazenda no momento em que o petistas cobram ações do governo

Adriana Fernandes e Ricardo Brito

08 de março de 2016 | 19h50

(Nelson Barbosa/André Dusek-Estadão)

(Nelson Barbosa/André Dusek-Estadão)

Em reação ao agravamento da crise política após a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para prestar depoimento a investigadores da Lava Jato, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, tem tentado nos últimos dois dias fazer uma movimentação para a seara econômica e entrar em sintonia com o PT.

Antes do depoimento, o partido da presidente Dilma Rousseff partiu para o ataque da política econômica e colocou em pauta 22 medidas consideradas emergenciais para garantir o crescimento econômico.

A primeira delas cobrava logo uma forte redução da taxa de juros como elemento fundamental para diminuir o déficit nominal das contas públicas e as 21 seguintes têm pouca ou nenhuma chance de saírem do papel diante de um quadro de rápida deterioração das contas públicas, que já levanta dúvidas sobre a sustentabilidade da divida pública.

Barbosa, que hoje tomou um café com deputados petistas e pediu apoio para a banda fiscal, prometeu avaliar as medidas. O PT diz para a plateia esperar o atendimento da pauta por uma equipe econômica que está completamente amarrada pelas circunstâncias políticas. E, assim, as coisas caminham sem que nada de fato avance.

O ministro e sua equipe trataram de correr para anunciar ontem e hoje medidas para estimular o financiamento das concessões e o crédito. Mas, enquanto a energia vai sendo gasta, as matérias importantes para o ajuste fiscal seguem sem perspectiva no Congresso.

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