Impeachment acelera novo rebaixamento do País

Impeachment acelera novo rebaixamento do País

Decisão da Moody's de revisar nota de investimento do País aponta que crise política deve antecipar a perda do selo de bom pagador

Adriana Fernandes e Ricardo Brito

09 de dezembro de 2015 | 21h55

Moody's (Reuters)

Moody’s (Reuters)

O anúncio feito hoje pela agência internacional de classificação de risco Moody’s de colocar a nota do Brasil em revisão na direção da perda do grau de investimento é mais um golpe na economia provocado pela crise política que alimenta a recessão. É simbólico que o aviso tenha sido feito poucos dias depois da abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

A revisão indica que a agência vai ficar de olho e decidir em pouco tempo se põe o Brasil no grupo de países com nota de grau especulativo. Se isso ocorrer, será a segunda agência de rating a retirar o grau de investimento do Brasil, o selo de bom pagador que sinaliza aos investidores estrangeiros que o País é seguro para investimentos.

O fato é que desde a visita de representantes da agência ao Brasil, em julho, houve piora tanto na frente política quanto na econômica. O governo espera uma nova decisão da agência em dois meses. A perda do grau de investimento, contudo, é dada como praticamente certa no Executivo. “Demorou demais”, resumiu um integrante da área econômica, não sem antes lamentar que o movimento para o rebaixamento tenha se acelerado.

É difícil encontrar no governo quem arrisque uma avaliação de que será possível conter essa ameaça, porque não há perspectiva de melhora do cenário brasileiro no curto prazo. Nesse sentido, não houve surpresas.

A decisão da Moody´s ocorre na semana seguinte da visita de uma missão da Standard & Poor´s, primeira agência a retirar o grau de investimento do Brasil e que ameaça com um novo rebaixamento nos próximos meses.

Se o País perder o grau de investimento pela segunda das três grandes agências de classificação de risco (a terceira é a Fitch), deixará de ser considerado pelos investidores como uma alternativa com baixo risco de crédito.

Segundo estudos, a partir da observação de países que deixaram de ser considerados grau de investimento, os efeitos sobre seus indicadores financeiros e econômicos foram consideráveis. O volume de investimento direto e em carteira vindos do exterior se reduziram, em média, 65% e 98% no primeiro ano após a perda do grau de investimento.

Com ou sem impeachment de Dilma, com ou sem o vice Michel Temer (PMDB) no Palácio do Planalto, o País vai piorar antes de, eventualmente, melhorar.

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