DESAFIO DUPLO COM DEFINIÇÃO DE METAS FISCAL E DE INFLAÇÃO

Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, já deu grito de guerra ao prometer a convergência da inflação para o centro da meta em 2017

Adriana Fernandes e Ricardo Brito

29 Junho 2016 | 18h56

(Ilan Goldfajn/Hélvio Romero-Estadão)

(Ilan Goldfajn/Hélvio Romero-Estadão)

A equipe econômica tem pela frente o desafio duplo de ter que definir nos próximos dias as metas fiscal de 2017 e de inflação para 2018. Um erro de calibragem na fixação desses dois objetivos pode colocar em risco toda a estratégia de política econômica definida pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para os próximos dois anos. Esse caminho precisa acima de tudo da confiança dos agentes econômicos para dar certo.

A meta fiscal de 2017 não pode ser ambiciosa, com riscos de não ser alcançada, e nem flexível demais a ponto de ser percebida como frouxa. Já se sabe que o déficit do ano que vem será elevado. E quanto mais próximo a meta de 2017 for do déficit de R$ 170,5 bilhões previsto para 2016, maior será essa desconfiança. Ainda mais num cenário que aponta o início da recuperação do Produto Interno Bruto (PIB).

Uma redução agora da meta de inflação de 2018, que terá que ser fixada nesta quinta-feira pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), também poderia trazer riscos para o Banco Central nesse momento em que os juros e a inflação ainda estão em patamares elevados num cenário de recessão econômica.

Para afastar desconfianças de interferências políticas do Palácio do Planalto, o novo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, já deixou claro que vai perseguir o centro da meta de inflação de 4,5% em 2017. Não haverá alongamento do prazo da convergência para 2018, como muitos queriam para que os juros caíssem mais rápido, ajudando a retomada econômica.

A decisão de manter a convergência da inflação para 4,5% em 2017 exigirá que a taxa Selic demore um pouco mais a cair. Mesmo assim, não vai ser fácil conseguir atingir esse objetivo, porque há pressões ainda latentes, como a de alimentos, além da inércia inflacionária.

Uma meta de inflação menor e mais ambiciosa para 2018 daria mais trabalho ao BC, principalmente porque o Comitê de Política Monetária (Copom) ainda não tem a seu favor uma rede de segurança consolidada do lado fiscal e das reformas para abrir caminho para essa trajetória mais rápida de queda inflação. Nenhum desses dois pontos estão ainda assegurados.

“O Ilan já deu um grito de guerra ao prometer o centro da meta em 2017. Não pode outro ao mesmo tempo com a redução da meta de inflação”, alerta o ex-diretor do BC, Carlos Thadeu de Freitas. O perigo é perder a credibilidade.

Mais uma vez Meirelles e os demais integrantes da equipe econômica terão pouco tempo para definir as duas metas.

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O jornalista Ricardo Brito, que também assina a coluna, entrou de férias