Dilma se abre ao diálogo

Dilma se abre ao diálogo

Presidente mais ouve do que fala em reunião com senadores que discutiu uma série de propostas ligadas à economia. É um aceno para quem precisa superar crises

Ricardo Brito e Adriana Fernandes

16 Fevereiro 2016 | 19h08

(Dilma Rousseff/Dida Sampaio-Estadão)

(Dilma Rousseff/Dida Sampaio-Estadão)

Em mais um gesto que demonstra uma predisposição ao diálogo, a presidente Dilma Rousseff abriu o Palácio do Planalto na noite de ontem para ouvir os senadores.

Mesmo tendo feito um apelo enfático pela aprovação da CPMF e ter defendido uma elevação da alíquota para 0,38% a fim de dividi-la com Estados e municípios, Dilma discutiu horizontalmente com os parlamentares uma série de propostas.

Não se mostrou intransigente em discutir o projeto do senador tucano José Serra (PSDB-SP) que acaba com a obrigatoriedade da Petrobras em ser a exploradora única do pré-sal. E ainda tem discutido com a cúpula do PMDB do Senado os detalhes do projeto.

Chamou de o “melhor” o projeto que legaliza os jogos de azar do presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI). Mas, sem se comprometer, ressaltou que cabe ao Congresso discutir. É aquele texto que o Ministério Público Federal está preocupado com a frouxidão das punições e a possibilidade de aumentar o cometimento de crimes.

A presidente ainda pediu aos senadores para não votar o projeto que cria limites para o endividamento da União, uma vez que o governo enviará em breve uma reforma fiscal que englobará essa e outras questões.

Dilma não se alongou muito sobre a reforma da Previdência no encontro. Ela já tem uma forte resistência a conter no governo. O ministro do Trabalho e Previdência Social, Miguel Rossetto, quer mais tempo para refletir sobre o assunto.

A presidente acenou até em conversar com a oposição – citando nominalmente o senador e empresário Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Da conversa, só se ouviu elogios: muito boa, produtiva e alento, para citar alguns comentários.

Dilma tem se mostrado mais receptiva em conversar com os parlamentares, prática que nunca foi habituada a fazer. Para quem precisa de superar as crises política e econômica, com aumento da inflação e do desemprego, já é um importante passo.

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