Em contraponto a Alckmin, Aécio se aproxima de Temer

Enquanto o governador paulista se distancia do governo, o presidente do PSDB acena com apoio para ações na política e na economia da gestão federal

Ricardo Brito e Adriana Fernandes

16 de dezembro de 2016 | 20h47

Num contraponto ao distanciamento protocolar que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, tem procurado ter com o governo federal, o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), aumentou nos últimos dias sua aproximação com a gestão do presidente Michel Temer.

Aécio, por um lado, busca aumentar a participação no núcleo duro de decisões do Palácio do Planalto com a indicação de Antonio Imbassahy para a Secretaria de Governo, agora ou no máximo até a eleição para a Mesa da Câmara em fevereiro.

Por outro, o tucano endossou o pacote de reanimação econômica lançado na quinta-feira pelo governo, tendo a distinção, em encontro da bancada do Senado, de conhecê-las com antecedência por meio do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e discutindo novas medidas a serem lançadas em breve.

Curiosamente no dia seguinte às medidas de Temer, Alckmin lançou nesta sexta-feira (16) um pacote com ações para estimular a competitividade e a atividade econômica paulista, com simplificação tributária, desoneração e incentivos para a indústria.

A investida de Aécio ocorre no momento de maior fragilidade do governo Temer, em meio à citação do próprio presidente nas delações premiadas da Odebrecht e do aumento da avaliação negativa da gestão do peemedebista captada nesta sexta pelo CNI/Ibope (esse índice subiu de 39% para 46%).

A aposta do presidente do PSDB e de aliados que será preciso respaldar o governo até 2018 com o apoio ao governo Temer para a chamada travessia – aprovação do ajuste fiscal, com foco a partir de agora na impopular reforma da Previdência e de iniciativas para melhorar o ambiente econômico no País.

Na cúpula do partido, o tucano fez uma improvável aliança tática com o chanceler José Serra – ambos também envolvidos na Operação Lava Jato – para prorrogar o mandato de Aécio à frente do PSDB por mais um ano, até maio de 2018.

Com isso, tentam influenciar os rumos do partido na sucessão presidencial justamente no momento em que Alckmin, vitorioso nas eleições municipais, aparece como forte concorrente ao Planalto.

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