Impeachment interdita economia

Impeachment interdita economia

Crise provocada pela carta de Temer para Dilma golpeia de vez as decisões de investimentos que poderiam dar algum ânimo ao crescimento em 2016

Adriana Fernandes e Ricardo Brito

08 Dezembro 2015 | 21h59

Temer e Dilma (Dida Sampaio/Estadão)

Temer e Dilma (Dida Sampaio/Estadão)

Independentemente de quem ganhar a batalha do impeachment, a economia brasileira está interditada. A fervura no caldo da crise política provocada pela carta (de rompimento?) do vice-presidente Michel Temer para a presidente Dilma Rousseff golpeia de vez as decisões de investimentos que poderiam dar algum ânimo ao crescimento em 2016.

É consenso no governo que não haverá tomada de decisão para novos investimentos enquanto não houver o desfecho do processo de impeachment. E que qualquer que seja o resultado do leilão de hoje dos terminais de portos – que poderia arrecadar quase de R$ 1 bilhão – não significará um sinal de alento para o governo.

A necessidade de acelerar o processo de impedimento no Congresso, evitando a convocação do recesso extraordinário previsto para começar depois do dia 22, é importante também para não levar o caos político para a economia. Por enquanto, a economia está em crise com a recessão, mas não há rupturas. Até agora…

Pragmático, o mercado financeiro passou a se debruçar hoje com mais atenção sobre o programa econômico do PMDB “Uma Ponte para o Futuro”, patrocinado por Michel Temer.

As apostas de quem poderia o ocupar o lugar do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, já fazem parte das agendas de analistas. Um nome chama a atenção: o do senador José Serra (PSDB-SP), que já declarou em entrevista que fará o possível para ajudar um eventual governo Temer. A comparação com a trajetória do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no pós-impeachment do ex-presidente Fernando Collor é inevitável.

Na carta em que reclama para Dilma da falta de apoio a ele e ao PMDB, Temer escancara o alijamento da legenda das principais decisões para melhorar a economia do País. O governo tenta buscar uma articulação com a ala do partido que não quer o impeachment e que permanece aliado da presidente com cargos no governo. O presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), é o alvo preferencial do assédio.

A rigor, o ex-ministro da Secretaria de Aviação Civil Eliseu Padilha foi o único peemedebista que desembarcou do governo. Mas há pressão para abrir caminho para outros.

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