Liderança do PMDB, uma eleição decisiva para Dilma

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Liderança do PMDB, uma eleição decisiva para Dilma

Escolha entre Leonardo Picciani e Hugo Motta para comandar a bancada peemedebista pode contribuir para definição do rumo de medidas como a CPMF e do processo de impeachment da presidente

Ricardo Brito e Adriana Fernandes

17 de fevereiro de 2016 | 12h58

Eduardo Cunha e Leonardo Picciani/Luis Macedo Câmara dos Deputados)

(Eduardo Cunha e Leonardo Picciani/Luis Macedo-Câmara dos Deputados)

A eleição secreta para escolha da liderança do PMDB da Câmara na tarde desta quarta-feira será decisiva para o futuro da crise política e econômica da gestão Dilma Rousseff. O líder da maior bancada da Casa tem entre suas principais prerrogativas indicar o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), colegiado onde está parado a principal medida do ajuste apresentada até agora, o retorno da CPMF, e também dos oito integrantes peemedebistas da comissão especial do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Embora o Palácio do Planalto tenha tentado desde o fim do ano passado manter-se equidistante da disputa, a aposta na recondução do atual líder, Leonardo Picciani (RJ), poderia ajudar na estratégia do governo a desidratar o pedido de afastamento da presidente logo na comissão, com um parecer contrário, para que seja obrigatoriamente votado no plenário sem força – serão necessários ao menos 342 dos 513 votos para abrir o processo contra Dilma. Mesmo dizendo ter pelo menos 200 votos, o Executivo quer garantir uma boa margem de segurança.

Picciani também tem se mostrado favorável a acelerar a votação das medidas do ajuste fiscal.

Por outro lado, a vitória do concorrente Hugo Motta (PB), candidato patrocinado pelo desafeto do Planalto, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), geraria, ainda que temporariamente, um grau de incerteza maior para o governo. Motta tem dito que não é favorável ao impeachment, mas sua eleição representaria que o grupo de Cunha, responsável por admitir o pedido em dezembro e que é alvo de um processo de cassação, ainda é forte na bancada e, de algum modo, terá de ser contemplado na comissão especial.

Ao mesmo tempo, Motta já se mostrou refratário a propostas de aumento da carga tributária, como o retorno do imposto do cheque. Essa sinalização indica dificuldades para o governo levar adiante o ajuste, embora ele ressalte estar sempre aberto ao diálogo com o Planalto.

A eleição de Picciani, outrora aliado de Cunha, representaria o fortalecimento de uma relação que firmou com o Planalto em outubro, quando da escolha dos deputados peemedebistas Marcelo Castro (PI), o questionado ministro da Saúde em meio à epidemia do zika vírus, e Celso Pansera (RJ), da Ciência e Tecnologia, para a Esplanada dos Ministérios.

Se Motta vencer, por outro lado, Dilma será obrigada a reorganizar a sua base e, possivelmente, fazer uma nova reforma ministerial para atrai-lo – não à toa que ministros do Planalto mantiveram durante toda a disputa a porta aberta para ele. Nesse caso, será difícil manter dois ministros indicados por um ex-líder do PMDB.

Ciente dos riscos da disputa, o governo guardou como trunfo, qualquer que seja o vencedor, o cargo de ministro da Secretaria de Aviação Civil, vago desde dezembro com a saída de Eliseu Padilha. O dia 17 de fevereiro tem tudo para marcar o ano de 2016 e, quiçá, um novo momento para a gestão Dilma.

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