Lula e Dilma buscam sobrevivência. Já a economia…

Lula e Dilma buscam sobrevivência. Já a economia…

Posse do ex-presidente na Casa Civil interdita agenda econômica por pelo menos 60 dias, em meio à discussão sobre o impeachment

Ricardo Brito e Adriana Fernandes

17 de março de 2016 | 21h04

(Lula e Dida/Dida Sampaio-Estadão)

(Lula e Dida/Dida Sampaio-Estadão)

O discurso da presidente Dilma Rousseff na posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro da Casa Civil demonstrou que a sobrevivência de ambos é a prioridade do governo. Dilma se ateve em grande parte do discurso a criticar o que chamou de “grampo ilegal” da conversa em que ela informa a ele sobre o termo de posse, o que, para a oposição, haveria indícios de tentativa de obstrução da Justiça.

A adoção de uma agenda econômica promovida por Lula, tão propalada por integrantes do Palácio do Planalto e por petistas como justificativa para o retorno do ex-presidente ao governo, foi esquecida na solenidade.

Houve apenas um protocolar comentário de Dilma que disse que o governo que preside vai promover o equilíbrio fiscal e a redução da inflação com o mesmo empenho que garantirá o emprego e a renda dos trabalhadores. A não ser breves palavras sobre determinação do governo para garantir o controle da inflação e o equilíbrio fiscal.

A ausência em peso do PMDB na solenidade – seja do grupo ligado ao presidente do partido e vice-presidente, Michel Temer, ao líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), e ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) – e a decisão do partido de antecipar para o dia 29 a convenção que decidirá sobre o rompimento do governo demonstram sinais concretos de que a legenda vai se unir no propósito de, sem querer precipitar os fatos, levar à deposição da presidente.

Integrantes da cúpula do partido estão em frequente conversa com a oposição para buscar uma superação da crise política e ainda construir uma agenda econômica de votação. A crítica feita por ministros do Supremo Tribunal Federal a falas de Lula e o aval de entidades representativas da economia para a saída da presidente, como Firjan e Fiesp, criam um caldo de cultura de interdição para o debate econômico por pelo menos 60 dias, prazo de tramitação do impeachment.

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