Lula marca posição contra alta do juros em dia de Copom

Lula marca posição contra alta do juros em dia de Copom

Ex-presidente apresenta receituário de medidas para Dilma governar de olho nas eleições de 2018

Ricardo Brito e Adriana Fernandes

20 de janeiro de 2016 | 16h16

Lula e Dilma (Dida Sampaio/Estadão)

Lula e Dilma Rousseff (Dida Sampaio/Estadão)

Como se presidente fosse, Luiz Inácio Lula da Silva decidiu estrear o ano de 2016 com um receituário de medidas econômicas para que a chefe do Palácio do Planalto, Dilma Rousseff, governe. As sugestões chegam justamente no dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) toma a decisão sobre os juros sob forte pressão do PT e críticas reforçadas do mercado financeiro ao presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.

O cardápio de Lula apresentado em entrevista a blogueiros é conhecido pela boca dos interlocutores dele e, em parte, usado por Dilma antes de se reeleger, mas vale repetir nas palavras do ex-presidente:

1 – É preciso forte política de financiamento para induzir o crescimento da economia, inclusive com uso de “recursos públicos” mesmo se houver um aumento “um pouco mais” do endividamento do País;
2 – “Um pouco de crédito para o consumo”, a única saída para aproveitar, segundo ele, o “mercado de crédito extraordinário” que o País tem;
3 – Fazer grandes obras de infraestrutura evitaria o avanço do desemprego;
4 – Reduzir os depósitos compulsórios dos bancos para financiar investimentos e o consumo, já que não há “dinheiro no Orçamento”;
5 – Não há necessidade de aumentar a Selic porque, diz, nem os banqueiros querem.

Irônico, Lula minimizou a alta inflação no País. “Eu, que vivi uma inflação de 80% ao mês, com 8% ao ano dá até para guardar dinheiro embaixo do colchão”.

Atacou o ajuste do ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy, a quem acusou ser representante do mercado e ter levado o governo a perder a “nossa gente”. E voltou a reconhecer, como se estivesse no Planalto, ter sido um equívoco político de Dilma e do PT implementar uma política econômica diferente da pregada durante as eleições.

Numa espécie de ultimato, o ex-presidente sugeriu até um prazo de 20 dias para que Dilma e o novo titular da Fazenda, Nelson Barbosa, a quem chamou de “muito inteligente”, anunciem novas medidas econômicas. E cobrou ações “críveis”. “Acho que logo, logo, ela deve se pronunciar para falar pro Brasil o que vai acontecer daqui pra frente”, instou.

Lula trabalhou para que Dilma trocasse Levy por Barbosa e mudasse o núcleo duro do governo dela. Aliados dizem que as manifestações do ex-presidente visam a retirar sua apadrinhada das crises política e econômica, classificada por ele como “arranhões” ao projeto de 13 anos do PT.

O ex-presidente afirmou que a candidatura para voltar ao Planalto vai depender de como estará o País em 2018. E disse que estará no jogo como titular, reserva ou como torcida. Hoje, ele está na reserva, mas fala como técnico para tentar, daqui a três anos, voltar ao campo.

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