Luz no fim do túnel? Não, Lava Jato e desemprego

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Luz no fim do túnel? Não, Lava Jato e desemprego

Prisão de amigo de Lula mostra avanço da ação da PF, o que preocupa o ex-presidente e o Planalto. Reforça também dificuldades de empreiteiras, importantes empregadoras, de reagirem em meio às investigações

Ricardo Brito e Adriana Fernandes

24 de novembro de 2015 | 15h01

José Carlos Bumlai (Gabriela Bilo/Estadão)

José Carlos Bumlai (Gabriela Bilo/Estadão)

Uma liderança petista no Congresso comemorava na semana passada a manutenção dos vetos presidenciais que poderiam custar R$ 64,9 bilhões aos cofres públicos até 2019. Disse que, apesar de ainda ser necessário aprovar a maior parte do ajuste fiscal, era possível aventar um início de “luz no fim do túnel”, mas, como numa premonição, ressalvou que atualmente não dá para prever nada porque no meio do caminho pode ter a imponderável Operação Lava Jato.

Eis que hoje (24) a 21ª fase da ação prendeu o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A nova etapa da operação aumenta a desconfiança de petistas e de integrantes do governo de que a investigação promove um cerco a Lula e pode respingar na presidente Dilma Rousseff. Por outro lado, reforça particularmente as dificuldades das grandes empreiteiras, importantes empregadoras no País, de se levantarem em meio às investigações e à recessão econômica.

Só no mês passado, conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a construção civil liderou o fechamento de postos de trabalho no País, com 30% dos cerca das 170 mil vagas. Nos 12 últimos meses, foram fechados no País quase 1,4 milhão de postos de trabalho. Para especialistas, a paralisia das empresas da construção civil decorre em parte das dificuldades de investimentos da Petrobras, decorrentes da Lava Jato.

Não há solução fácil para a petroleira, que dá sinais cada vez maiores da necessidade de urgência de um reforço da sua estrutura de capital. Como mostrou reportagem do Estado na semana passada, a empresa discute com o governo a possibilidade de capitalização via instrumento híbrido de capital e dívida (IHCD), uma operação que funciona como um contrato de crédito praticamente sem data de vencimento.

Há um abismo entre a preocupação no governo com a Petrobras e o discurso otimista do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que não vê necessidade imediata de capitalização porque a empresa tem caixa suficiente. Se assim fosse, o assunto não estaria em pauta nos bastidores, apesar das negativas oficiais.

No rastro da Lava Jato, ronda o principal temor do governo: o desemprego. Essa taxa caminha para passar dos 10% no primeiro trimestre de 2016 – a Pnad Contínua, divulgada hoje pelo IBGE, subiu para 8,9% entre julho e setembro de 2015, a maior da série histórica (são 9 milhões de desocupados). Entre jovens de 18 a 24 anos, a taxa beira os 20%.

O Palácio do Planalto queria encerrar até o final do ano o ajuste fiscal no Congresso para tentar reverter a partir de 2016 essa maré negativa do desemprego. Mas os parlamentares resistem a apoiar e agilizar essa agenda do governo. A equipe econômica tenta sair do discurso do ajuste fiscal em favor do crescimento – Levy chegou a afirmar ontem que ele já está quase concluído – mas não há indicações ainda desse caminho. O governo já projeta uma recessão de 1,9% no ano que vem.

E a Lava Jato e o desemprego avançam.

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