Meirelles age com cautela, mas não pode demorar

Meirelles age com cautela, mas não pode demorar

Ministro da Fazenda conta com boa vontade do mercado, mas precisa divulgar logo um plano detalhado nesta semana

Adriana Fernandes e Ricardo Brito

16 de maio de 2016 | 17h44

(Henrique Meirelles e Michel Temer/André Dusek-Estadao)

(Henrique Meirelles e Michel Temer/André Dusek-Estadao)

Não é apenas a já esperada lua de mel com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que explica a reação ainda positiva do mercado, mesmo diante da ausência de medidas concretas e dos nomes da equipe econômica. Em outras situações, a dificuldade do ministro da Fazenda em formar a sua equipe já teria se refletido de forma mais forte em volatilidade dos ativos.

A avaliação que prevalece é a de que a cautela de agora vai evitar que Meirelles cometa o mesmo erro do ex-ministro da Fazenda, Joaquim Levy, de estabelecer uma meta fiscal sem ter conhecimento de todos os riscos, e também de elencar medidas que não teriam condições de serem aprovadas. Logo na primeira entrevista depois da sua indicação para o cargo, Levy se comprometeu com um superávit de 1,2% do PIB em 2015 e de 2% em 2016.

A realidade, no entanto, acabou mostrando que o quadro das contas públicas naquele momento não comportava um saldo positivo. Muito menos desse tamanho. Levy demorou para aceitar essa realidade e até o fim insistiu em fazer um ajuste maior do que o possível, sem condições políticas para tal empreitada.

Os ruídos em torno dos nomes da equipe existem. Mas, ao mesmo tempo, o que se espera é que a equipe econômica tenha condições e capacidade técnica e, sobretudo, alinhamento para implementar um ajuste fiscal crível. Não há espaço para disputas internas – que já tiveram seu primeiro ensaio em torno da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) em torno do foro privilegiado para a presidência do BC.

A novidade com a escolha de Tarcísio Godoy para ser o vice-ministro da Fazenda foi considerada boa por integrantes do mercado, segundo apurou a coluna, por contar com alguém que olhou de perto os números recentemente e conhece os processos de alienação de ativos que já estavam em andamento.

Mas o entendimento é que Meirelles não pode demorar muito. Precisa divulgar um plano mais detalhado ainda nesta semana. “O mercado já precificou os bons nomes e está querendo ver as ações”, resume um executivo de um banco.

A nova base aliada de Temer na Câmara – justamente aquela que votou maciçamente pelo impeachment de Dilma – começa a dar seus primeiros sinais de reservas com as prováveis medidas do governo, com críticas a um eventual retorno da CPMF e à reforma da Previdência. A Fiesp, que atuou fortemente pela saída de Dilma, cobrará agora a fatura se posicionando contra a volta do imposto do cheque.

A confiança pode até melhorar na base do discurso. Mas, se o apoio do PMDB e da base aliada do presidente em exercício às medidas duras não for para valer, ela vai evaporar rapidamente no rastro da insatisfação da população como os problemas econômicos.

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