O aceno “faz-de-conta” do governo ao PSDB na reforma da Previdência

O aceno “faz-de-conta” do governo ao PSDB na reforma da Previdência

Temer faz aceno aos tucanos ao antecipar envio de mudanças no sistema previdenciário ao Congresso, mas reforma só deverá deslanchar em 2017

Ricardo Brito e Adriana Fernandes

08 Setembro 2016 | 15h56

(Michel Temer/Estadão)

(Michel Temer/Estadão)

Numa equação para se equilibrar entre o PSDB e o restante da base aliada, o governo do presidente Michel Temer fez um aceno ao primeiro grupo ao decidir enviar a reforma da Previdência ao Congresso ainda neste mês. A polêmica proposta iria ser encaminhada inicialmente ao Legislativo durante as eleições municipais, mas, diante da pressão dos tucanos, o Palácio do Planalto anunciou a remessa da matéria até o dia 30, uma sexta-feira.

A decisão do Executivo visa a passar a ideia de que o pacote de ajuste econômico é prioridade do governo agora efetivo, contemplando também o desejo do mercado financeiro por mudanças estruturais nas contas públicas.

Daí a matéria ser votada são outros quinhentos. A fala do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de que é “inócua” a decisão do governo de enviar a proposta ecoa publicamente parte do desagrado existente na base aliada. O receio de prejuízos em tema caro na campanha eleitoral é só um dos elementos.

O presidente do PMDB e ministro da Previdência do governo Lula, senador Romero Jucá (RR), era um dos contrários à remessa da matéria em setembro. O ministério da Fazenda não quer que a Previdência atrapalhe a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do teto do gasto.

Interlocutores de Temer no Congresso avaliam que a matéria só será discutida para valer após as eleições e votada apenas em 2017. Cresce a percepção entre aliados do presidente no Legislativo que o PSDB quer que o presidente faça o chamado “serviço sujo” e impopular das reformas para limpar o terreno para eles governarem futuramente em momento econômico mais favorável. Isso tem incomodado dirigentes da legenda.

Resta saber se o PMDB – uma confederação partidária de interesses às vezes contraditórios – estará disposto a ficar sempre sendo cobrado pelos tucanos.

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