O “agosto” de Dilma está por vir em dezembro

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O “agosto” de Dilma está por vir em dezembro

Governo terá uma série de desafios a partir desta terça-feira (1º): aprovar revisão da meta em meio ao corte orçamentário, à divulgação do PIB e à visita de agência de classificação. E ainda Eduardo Cunha pode decidir sobre pedidos de impeachment

Ricardo Brito e Adriana Fernandes

30 de novembro de 2015 | 13h37

Eduardo Cunha (Dida Sampaio/Estadão)

Eduardo Cunha (Dida Sampaio/Estadão)

Diante da inédita prisão do líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), decidiu desmarcar, na semana passada, a sessão conjunta na qual estava prevista a votação da revisão da meta fiscal. Renan passou aquele dia em conversas para tentar garantir o voto secreto na sessão na qual os parlamentares votariam pela manutenção ou não da prisão do petista. Ao final foi vencido pelo plenário.

Por mais anormal que seja para o padrão do nosso Legislativo, uma sessão de emergência do Congresso não foi convocada na quinta, sexta ou até mesmo nesta segunda-feira para votar a mudança da meta. Em situações excepcionais, como essa, a título de exemplo, o Congresso norte-americano faz votações até em finais de semana.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, bem que tentou garantir a votação, mesmo com o escândalo Delcídio. A inércia levou a presidente Dilma Rousseff a editar um decreto hoje em que bloqueia, a partir de amanhã, R$ 11,1 bilhões por causa da meta não revisada.

Resumo: a cúpula do Congresso, preocupada com um par – e principalmente com o precedente que o caso dele abre para outros investigados na Operação Lava Jato, como o próprio Renan -, não viu problemas em postergar a aprovação da nova meta, confiando nos votos da esfacelada base. O discurso é que tal atraso não vai paralisar a máquina pública. Uma mera formalidade, dizem.

O governo, por seu lado, edita um decreto com um bloqueio que não cobre nem 10% do que deveria. Só para mostrar que tentou fazer algo.

É nesse cenário de incertezas que a Standard & Poor’s desembarca amanhã no Brasil para uma nova avaliação. A primeira agência de classificação que retirou o selo de bom pagador do País pode rebaixar novamente a nota brasileira e pressionar a Fitch e a Moody’s a seguir o mesmo caminho, o que agravaria ainda mais a situação.

Também amanhã o IBGE deve apontar novamente recessão do PIB no terceiro trimestre deste ano. E, mesmo alvejado pela Lava Jato e sob risco de ter aberto contra si um processo de cassação no mesmo dia, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciou que decidirá sobre os principais pedidos de impeachment contra Dilma logo em seguida, aumentando a instabilidade política.

O governo achou que agosto seria decisivo para Dilma. Nada ocorreu no mês das tragédias políticas brasileiras. Mas dezembro tem ingredientes para suplantar, em muito, o que se esperava. Tudo pode acontecer a partir de amanhã.

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