Oposição, na ofensiva política e na defensiva econômica

Oposição, na ofensiva política e na defensiva econômica

Não se sabe se estratégia de desgastar Lula para atingir Dilma, de integrantes da Câmara, e uma atuação mais propositiva no Senado terá êxito em futura eleição. Mas é a nova linha de atuação

Ricardo Brito e Adriana Fernandes

15 Fevereiro 2016 | 17h09

(Aécio Neves/Dida Sampaio-Estadão)

(Aécio Neves/Dida Sampaio-Estadão)

A oposição no Congresso tem se dividido em duas frentes de atuação. A parcela da Câmara continua interessada em desgastar a presidente Dilma Rousseff para retirá-la do posto. Para atingi-la, passou a cobrar ostensivamente a convocação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comparecer à recém-criada CPI do Carf e explicar as suspeitas que o cercam.

Por sua vez, a do Senado, formada em parte por empresários e políticos que almejam voos eleitorais maiores futuramente, percebeu que dificilmente a saída da petista ocorrerá e, desde o segundo semestre do ano passado, tem atuado na construção de ações para superar a crise.

Principal representante oposicionista, o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), dará esta semana o primeiro passo concreto para ajudar. Ele levará ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), nesta terça-feira (16) as três propostas consideradas prioridades do partido para a pauta da Casa: 1) o projeto que desobriga a Petrobras de ser a operadora única na exploração da camada do pré-sal; 2) um que cria regras de governança em estatais, relatado por Tasso Jereissati (PSDB-CE), e 3) um de autoria do senador Paulo Bauer (PSDB-SC), relatado por Aécio, que visa a diminuir a influência política na gestão dos fundos de pensão.

As propostas são meritórias, mas em novembro a cúpula tucana chegou a dizer nos bastidores que em breve iria lançar uma agenda mínima com propostas para a reforma da Previdência, tributária e pacto federativo – uma reação momentânea ao documento do PMDB “Uma Ponte para o Futuro” com receitas caras ao ideário do partido e após queda de intenção de voto de Aécio em pesquisas de intenção de voto. Até agora nada. O discurso da vez é que, em março, sugestões para o aperfeiçoamento dos programas sociais do governo devem ser anunciadas.

Aécio já se mostrou favorável a apoiar a prorrogação da Desvinculação das Receitas da União (DRU) e a conversar sobre uma proposta de reforma da Previdência, desde que o PT não se posicione contra. Parlamentares da oposição das duas Casas Legislativas têm se colocado contra a CPMF e qualquer iniciativa que implique aumento de impostos e ajudado a suavizar medidas que poderiam ajudar na arrecadação federal (vide a Medida Provisória 692). As mudanças nessa MP, inclusive, beneficiaram a camada mais rica do País.

Ao mesmo tempo, o tucano avaliza a ação da Câmara para manter a pressão da crise política, nutrindo ainda uma solução pelo impeachment ou, melhor ainda, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em que poderia concorrer ao Palácio do Planalto ainda este ano.

Não dá para saber ainda se a estratégia de ser ofensivo na política e defensivo na economia trará dividendos ao partido, afastado do poder no governo federal desde 2003.

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