Planalto espera votação sólida em impeachment, mas administra desconfiança

Planalto espera votação sólida em impeachment, mas administra desconfiança

Governo Temer quer alcançar 60 votos em sentença de pronúncia de Dilma, mas precisa vencer desconfiança do PSDB e do mercado

Ricardo Brito e Adriana Fernandes

09 de agosto de 2016 | 17h18

(Dilma Rousseff e Michel Temer/Ed Ferreira-Estadão)

(Dilma Rousseff e Michel Temer/Ed Ferreira-Estadão)

O Palácio do Planalto atuou nos últimos dias para construir uma sólida maioria, de preferência com 60 votos, na sessão do processo de impeachment que começa hoje no Senado e definirá se a presidente Dilma Rousseff deverá ser julgada por crime de responsabilidade pelos senadores no final do mês.

O presidente em exercício, Michel Temer, costurou com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), um pacote para concluir obras inacabadas pelo País, dando um argumento institucional para se aproximar dos senadores votantes.

Com esse pretexto, Temer recebeu vários parlamentares, entre eles até ex-vice-líderes de governo de Dilma no Senado. E, sem falar em impeachment nesses encontros, ao menos demonstrou que o Executivo busca reagir diante da crise econômica. Hoje, Renan – que havia muito tempo não ia às cerimônias no Planalto – decidiu fazer um aceno a Temer e vai comparecer ao ato de lançamento do Programa de Revitalização da Bahia Hidrográfica do Rio São Francisco.

Renan, que era um defensor intransigente de Dilma, passou a aderir ao governo Temer e, apesar das negativas, deverá garantir aliados no primeiro escalão e em postos-chave do Executivo.

O Planalto, entretanto, atuou também para minimizar as queixas do PSDB em relação às “bondades” de Temer nos quase três meses de gestão. O próprio presidente em exercício ligou para o senador José Aníbal (PSDB-SP), que fez críticas públicas à flexibilidade do governo à gestão fiscal. Ele deixou Aníbal, suplente de José Serra, livre para fazer os questionamentos que quiser.

No PSDB e no mercado, a avaliação geral é que a boa vontade com o governo começará a acabar tão logo o afastamento de Dilma seja confirmado e que vai até, no máximo, depois das eleições municipais. Os dois lados defendem a aprovação das reformas, como a previdenciária, a trabalhista e a PEC do Teto dos Gastos, para acenar com uma melhora da grave crise fiscal por que passa o Brasil.

Uma reunião com tucanos na semana passada promovida pelo empresário e senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) deu o tom da desconfiança. Na avaliação dele, a repercussão das declarações ao Estado do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de que Temer poderia ser candidato teve uma repercussão pior no mercado e meio empresarial do que no meio político.

Governistas e até mesmo aliados de Dilma reconhecem que, nem mesmo a eventual delação premiada feita por Marcelo Odebrecht, que envolveu Temer, deve mudar o curso do processo. Mas, apesar do efeito “Teflon” do presidente em exercício, a batalha da desconfiança do mercado e do PSDB ainda está longe de ser ganha.

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