Por impeachment, Renan pode avalizar escolha para Fazenda

Por impeachment, Renan pode avalizar escolha para Fazenda

Importante peça para sobrevivência de Dilma, presidente do Senado vê com simpatia nome de Armando Monteiro para o lugar de Joaquim Levy

Ricardo Brito e Adriana Fernandes

18 Dezembro 2015 | 11h58

Armando Monteiro (André Dusek/Estadão)

Armando Monteiro (André Dusek/Estadão)

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pode ser recompensado por sua destemida atuação como o mais importante aliado peemedebista da presidente Dilma Rousseff no Congresso para evitar o impeachment e a ascensão do desafeto, o presidente do partido e vice-presidente, Michel Temer: avalizar a escolha para o Ministério da Fazenda, com a saída dada como praticamente certa de Joaquim Levy.

Ao mesmo tempo em que habilmente conseguiu evitar entrar no foco da Operação Lava Jato – mesmo sendo alvo de seis inquéritos -, Renan forjou ao longo do ano o papel de fiador da governabilidade no Legislativo. Foi e é interlocutor frequente do demissionário Levy, atuou para aprovar com rapidez os ajustes fiscais no Senado (enquanto a Câmara de Eduardo Cunha resistia às reformas), aprovou arrojadas propostas (como a liberação do uso dos depósitos judiciais) e até lançou um pacote anticrise – a Agenda Brasil, que não decolou.

O presidente do Senado vê com simpatia para a Fazenda o nome de Armando Monteiro, atualmente ministro do Desenvolvimento. Monteiro é senador licenciado pelo PTB – já foi filiado ao PMDB de Renan – e tem trânsito com a oposição, característica fundamental para, em caso de não impedimento de Dilma, fechar uma agenda mínima de retomada do crescimento. Monteiro também goza de prestígio com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem fez uma série de dobradinhas quando presidiu a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O prestígio de Monteiro com Renan é tamanho que ele, no momento em que Levy balançava no cargo, foi tratado como convidado especial para o jantar de fim de ano que o peemedebista promoveu na quarta-feira (16) para senadores – mesmo licenciado do Legislativo, ele não constava da lista inicial de participantes da confraternização. Há quem ressalve que o titular do Desenvolvimento tenha atuado mais em defesa do setor de origem, a despeito do próprio ajuste patrocinado por Levy.

Por outro lado, Renan avalia reservadamente que a o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, não seria o nome que poderia restaurar a credibilidade da economia brasileira, ainda mais após o País ter perdido o grau de investimento por duas agências de classificação de risco. O nome de um aliado dele, o do senador, economista e ex-líder dos governos FHC, Lula e Dilma, Romero Jucá (PMDB-RR), também chegou a ser discutido pelo seu núcleo mais próximo, mas não se acredita que a petista tope.

As decisões do Supremo de ontem – em especial, a competência do Senado arquivar uma eventual abertura do impeachment de Dilma pela Câmara – aumentaram o cacife do peemedebista na sobrevivência e no futuro do governo. O Palácio do Planalto está atento à importância de Renan. Não se sabe ainda se a escolha da Fazenda passará pela chancela dele – mas que ele queria opinar, ele queria.

Escreva para nós: lupa@estadao.com