Prisão de marqueteiro pode implodir pontapé das reformas

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Prisão de marqueteiro pode implodir pontapé das reformas

Numa infeliz coincidência, após anunciar medidas de reforma fiscal, governo terá de voltar o foco para a crise política a fim de impedir o agravamento da crise que envolve João Santana

Adriana Fernandes e Ricardo Brito

22 de fevereiro de 2016 | 14h04

(Dilma Rousseff e João Santana/André Dusek)

(Dilma Rousseff e João Santana/André Dusek-Estadão)

A decisão da nova fase da Operação Lava Jato de decretar a prisão de João Santana, marqueteiro das campanhas da presidente Dilma Rousseff de 2014 e 2010 e do ex-presidente Lula de 2006, pode implodir toda a articulação do governo para dar um pontapé decisivo nas reformas e tentar ajustar as contas públicas.

Não poderia ter sido mais infeliz a coincidência da nova fase em seguida ao anúncio das medidas de reforma fiscal e revisão da meta de superávit primário deste ano. O ministro do Fazenda, Nelson Barbosa, traçou um plano articulado com medidas fiscais associadas a um socorro aos Estados para ganhar apoio no Congresso e, agora, o foco volta com mais força para a crise política, comprometendo a estratégia.

Apesar do recente avanço de investigações em relação a Lula, o Palácio do Planalto adotou a tática do apoio, mas à distância quanto ao maior líder petista e mentor de Dilma e contava com a vitória de Leonardo Picciani (RJ) para a liderança do PMDB da Câmara a fim de reorganizar a base e aprovar a CPMF, a DRU e as reformas fiscal e da Previdência – as duas últimas nem sequer saíram do papel, sendo que a da Previdência tem tido forte resistência do PT no Congresso e do ministro da área, Miguel Rossetto, em ser votada logo.

Tudo isso, entretanto, ficará em segundo plano. As atenções do governo deverão ser tragadas para a legitimidade do mandato de Dilma, alvo de quatro ações movidas pelo PSDB no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pedem a cassação da chapa Dilma e o vice Michel Temer por irregularidades na campanha. A oposição desde cedo se articula para aumentar a carga nas ações que podem levar a novas eleições este ano com o presidente do partido, Aécio Neves, despontando como favorito.

As dificuldades de Dilma são maiores do que a do então presidente Lula quando o marqueteiro dele Duda Mendonça confessou em plena CPI dos Correios, em agosto de 2005, ter recebido R$ 11,9 milhões em paraísos fiscais em dívidas da campanha do PT em 2002. Lula foi à lona, mas conseguiu se reeleger no ano seguinte. Dilma, já reeleita, tem três anos para permanecer no cargo e ainda tirar o País da trajetória da recessão, desemprego e inflação alta.

Não há como negar que o pontapé inicial de debate das medidas econômicas fica comprometido. A estratégia do ministro era a de enviar todos os projetos de reforma até o final de abril para ganhar espaço de negociação no Congresso antes que a campanha eleitoral tome conta do País. A tentativa do governo de retomar o protagonismo de impor uma agenda de retomada do crescimento econômico poderá ficar bem mais difícil.

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