PSDB empunhará bandeira da redução dos juros

PSDB empunhará bandeira da redução dos juros

Partido aliado ao governo defende queda da Selic como um dos instrumentos para melhorar situação econômica do País

Adriana Fernandes e Ricardo Brito

21 Setembro 2016 | 14h36

Fernando Henrique Cardoso/Estadão-Gabriela Biló)

Fernando Henrique Cardoso/Estadão-Gabriela Biló)

Após liderar um movimento para impedir o reajuste de servidores públicos, o PSDB vai empunhar a bandeira pela redução dos juros. Em reunião da bancada na semana passada de senadores, integrantes tucanos concordaram com a avaliação de que a inflação já começou a ceder e, por essa razão, não se justificaria continuar a manter a Selic em 14,25% ao ano.

A taxa básica de juros tem sido, para alguns tucanos, o fator que tem inibido uma retomada mais rápida da atividade econômica. Na semana passada, o senador e economista José Aníbal (PSDB-SP) já tinha feito a defesa da “imediata” queda da Selic em plenário. Esse movimento vai ganhar força a partir de agora, porque há uma avaliação de que a retomada da economia não deu ainda sinais claros.

“Em situação ideal, os juros seriam reduzidos após a consolidação do ajuste fiscal. Contudo, o Brasil vive um quadro de depressão profunda, baixa demanda, em que as expectativas de inflação estão derretendo rapidamente”, afirmou.

O Banco Central, contudo, tem condicionado a redução da Selic à aprovação das medidas do ajuste fiscal. Enquanto o PSDB dá um prazo de seis meses para as reformas serem aprovadas, o Executivo tem dado sinais de que, exceto a votação da PEC do Teto dos Gastos este ano, as reformas da Previdência e Trabalhista só devem caminhar ao longo de 2017.

A despeito da futura pressão dos tucanos, o governo anda preocupado com a falta de reação da economia. O quadro da economia continua “gravíssimo” e a crítica maior é que falta ação da equipe do presidente Michel Temer.

Em uma passagem por São Paulo na semana passada, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, esteve na casa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para discutir saídas para a crise econômica.

Padilha foi ministro dos Transportes do governo FHC e tem trânsito com os tucanos. O ex-presidente tem afirmado publicamente que a “austeridade” e manter as contas públicas em ordem é importante, mas é preciso que a população saiba para onde o País está indo. Ele tem dito, por exemplo, que fazer a reforma da Previdência não tem como objetivo maior apenas economizar, mas tornar o sistema de pagamento de benefícios mais igualitário.

O presidente Temer, que tentou se reunir com FHC semanas atrás, deverá conversar com ele em breve.