Queda de Dilma marca fim de ciclo sem garantias de início de outro com Temer

Efetivado presidente terá de fazer reformas impopulares para recuperar a economia, mas terá que lidar, por um lado com a oposição do PT, e, por outro, desconfiança do PSDB e DEM

Ricardo Brito e Adriana Fernandes

31 de agosto de 2016 | 19h53

A decisão do Senado de condenar a presidente afastada, Dilma Rousseff, por crime de responsabilidade encerra um ciclo de poder no governo federal sem garantias de que outro, liderado pelo presidente Michel Temer, vá efetivamente se impor, diante da grave crise fiscal e econômica por que passa o País.

O ocaso dos 13 anos do PT no poder foi marcado por avanços nas áreas sociais e forte intervenção do Estado na economia. Não houve, apesar do capital político de Dilma e do antecessor Luiz Inácio Lula da Silva, a aprovação de reformas econômicas que pudessem diminuir ao longo dos últimos anos o aumento do endividamento e dos gastos públicos. A porta para a elevação das despesas continuou aberta.

Temer assume o comando do País sem a popularidade já alcançada por Dilma e Lula e sob pressão de realizar reformas impopulares, como a da Previdência e trabalhista, a fim de tirar o País da recessão e retomar a credibilidade.

O peemedebista, contudo, está na mira pelos dois lados do espectro político. Pelo lado do PT, terá forte oposição pelas mudanças, ainda mais agora que o Senado decidiu manter Dilma hábil a concorrer a cargos públicos. Por outro, principalmente do PSDB e do DEM, terá de convencê-los de que será rigoroso após concessões durante a interinidade com a gestão fiscal, principal problema econômico do País.

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