Racha na base antecipa dificuldades para ajuste de Temer

Racha na base antecipa dificuldades para ajuste de Temer

Debate sobre posição de partidos aliados na concessão de reajustes do funcionalismo indica dificuldades do governo para votar futuras reformas

Ricardo Brito e Adriana Fernandes

25 de agosto de 2016 | 12h34

LUPA em vídeo – As cobranças do PSDB

(Aécio Neves-André Dusek/Estadão)

(Aécio Neves-André Dusek/Estadão)

A crescente ameaça de senadores do PSDB e agora do DEM de deixar a base aliada do governo caso o PMDB, partido do presidente em exercício, Michel Temer, continue a apoiar propostas de concessão de reajuste ao funcionalismo público antecipa as dificuldades que o governo terá logo após a provável aprovação do processo de impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff.

A gestão Temer incluiu os servidores na PEC do Teto dos Gastos, mecanismo que pretende limitar o crescimento das despesas públicas se valendo do princípio segundo o qual essa elevação não poderá ser maior do que a inflação do ano anterior. Contudo, já há números, como antecipou a coluna, dando conta de que, em 2017, a despesa com folha de pessoal crescerá acima da inflação projetada pelo Boletim Focus este ano.

Isso significa que a regra que abrange o funcionalismo deverá ser suavizada durante a tramitação da proposta no Congresso ou até mesmo retirada, do contrário provavelmente não será cumprida. Tucanos sinalizam reservadamente que podem abandonar a base de Temer caso a PEC do Teto não seja aprovada ou venha a ser alterada pelo Legislativo. Isso sem falar que na medida mais impopular, a reforma da Previdência, não foi sequer encaminhada ao Congresso.

O senador e economista José Aníbal (PSDB-SP), o primeiro a externar publicamente o incômodo do partido à flexibilidade na condução da economia, tem dito que o governo tem até o final do ano para aprovar as reformas que o País precisa. Um artigo do Instituto Teotônio Vilela, presidido por Aníbal (que referenda todos os textos) e intitulado “Corda em casa de enforcado”, resume o sentimento tucano sobre as concessões do governo. Eis um trecho do recado:

“É estranho, para dizer o mínimo, que num dia o presidente em exercício diga com todas as letras que não vai mais avalizar aumentos de salários para o funcionalismo e, no outro, parte de sua base partidária no Congresso aja em direção contrária. O País não precisa de um governo que queira só ficar bem na fita. Precisa de um governo que faça as mudanças e as reformas necessárias, que a toda população – e não apenas algumas poderosas corporações – cobra.”

Ontem à noite, Temer participou de mais um jantar para aparar as arestas da base, na casa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e com a presença de lideranças do PSDB, DEM e PMDB. Na semana passada, o presidente em exercício tinha promovido um encontro nesses moldes com o PSDB e, de concreto, decidiu-se dar mais poderes ao líder do governo no Senado, o tucano Aloysio Nunes Ferreira (SP). De nada adiantou porque ele é contra os reajustes e a parte da base na Casa alinhada ao PMDB é a favor.

Se continuar assim, daqui a pouco não haverá mais jantar que pacifique a base.

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