Renan “muda chave” para Temer

Renan “muda chave” para Temer

Ao ignorar decisão de Waldir Maranhão, presidente do Senado abandona Dilma Rousseff, de quem foi o mais importante aliado no Congresso, e respalda provável gestão do vice

Ricardo Brito e Adriana Fernandes

10 de maio de 2016 | 08h24

(Renan Calheiros-Andressa Anholete-AFP)

(Renan Calheiros-Andressa Anholete-AFP)

A manifestação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de ignorar em menos de cinco horas a surpreendente decisão do presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), demonstra que o peemedebista já “virou a chave” em favor do vice-presidente Michel Temer. Maranhão havia decidido anular a votação dos deputados que admitiu a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

Renan foi o mais importante aliado de Dilma no Congresso na tentativa de impedir, usando o regimento e sua influência política, que o impeachment prosperasse e levasse ao Palácio do Planalto o desafeto Temer. Mas já abriu canal de conversas com o vice desde que a Câmara, 22 dias atrás, admitiu o pedido de impedimento da presidente com o voto de 367 dos 513 deputados.

O peemedebista já fechou uma agenda mínima de votações com Temer a ser acionada logo em seguida ao afastamento da presidente, que deve ocorrer na quarta-feira, 11. Quer revisar a meta fiscal para evitar a paralisia da máquina pública até o final do mês e discute um pacote de votações para reanimar a economia, numa parceria com o colega e provável ministro do Planejamento, o senador Romero Jucá (PMDB-RR).

Renan tem reclamado da falta de prestígio da bancada do PMDB e de outros partidos da “nova base” em um eventual governo Temer. As críticas do grupo dele referem-se mais ao privilégio que o vice tem dado às relações com a Câmara – a propósito, Temer presidiu três vezes a Casa dos Deputados. Mas as queixas do peemedebista não o fazem manobrar a cadeira de presidente do Senado para ainda atuar em favor de Dilma.

Por seus frágeis argumentos jurídicos, a decisão de Waldir Maranhão – revogada por ele mesmo na virada da noite – animou momentaneamente Dilma e aliados do governo, achando que poderiam ter um suspiro às vésperas do afastamento da presidente. Contudo, pareceu mais uma “extrema unção” da petista.

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