“Roadshow” do PT contra a alta dos juros

“Roadshow” do PT contra a alta dos juros

Mesmo com Dilma Rousseff e Nelson Barbosa defendendo a autonomia do BC para elevar a Selic, partido da presidente pressiona governo para ao menos manter a taxa

Ricardo Brito e Adriana Fernandes

11 de janeiro de 2016 | 19h04

Rui Falcão (Daniel Teixeira/Estadão)

Rui Falcão (Daniel Teixeira/Estadão)

Mesmo com os discursos de autonomia do Banco Central para operar a política monetária da presidente Dilma Rousseff e do ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, parlamentares petistas mantêm a pressão na semana da véspera do encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) que definirá a nova Selic, hoje em 14,25%.

Há petista – em período de recesso parlamentar – que vai fazer um “roadshow” no Palácio do Planalto esta semana para tentar pressionar o governo para, ao menos, a manter a taxa básica de juros da economia no mesmo índice no encontro do Copom do dia 20.

O reforço de Dilma e Barbosa a equipe comandada por Alexandre Tombini indica que o BC terá respaldo se elevar a taxa em 0,5 ponto porcentual, principal instrumento para tentar reduzir a inflação futura após ela ter fechado o ano passado em 10,67%.

Só a simples possibilidade de integrantes do partido de Dilma quererem conversar com o núcleo do governo sobre a taxa de juros mostra a dissintonia entre o PT e o Executivo. Enquanto os petistas buscam maior espaço para reativar a economia, o governo tenta dar mostras de que a equipe econômica mantém-se austera e busca o equilíbrio fiscal mesmo com a saída de Joaquim Levy do Ministério da Fazenda.

Integrantes do partido argumentam ainda que toda eventual subida de um ponto porcentual da Selic encarece a dívida. E que, nesse cenário, o esforço de cumprir qualquer meta de superávit primário – a deste ano, de 0,5% do PIB (R$ 30,5 bilhões de economia) – torna-se vão.

Os petistas – que comemoraram a queda de Levy – começam a dar sinais, ainda que reservados, de insatisfação pela falta de ações do governo para ajudar o partido. O calendário deste ano favorece a pressão: a discussão do impeachment de Dilma no Congresso no primeiro semestre e as eleições municipais, no segundo.

Resta saber como Dilma se equilibrará.

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