Sem trégua no pós-guerra entre Dilma e Temer

Sem trégua no pós-guerra entre Dilma e Temer

Aliados da presidente e do vice prometem manter pressão e críticas qualquer que seja o resultado da votação do pedido de afastamento no plenário da Câmara

Ricardo Brito e Adriana Fernandes

11 de abril de 2016 | 16h50

(Temer e Dilma/Dida Sampaio-Estadão)

(Temer e Dilma/Dida Sampaio-Estadão)

A votação do pedido de admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff pela comissão especial da Câmara nesta segunda-feira (11) marcará a reta decisiva da batalha que opõe, cada vez de modo mais sem cerimônia, dois projetos de poder: o de Dilma ancorado no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o de parte do PMDB patrocinado pelo seu presidente licenciado, o vice Michel Temer.

Nenhum desses polos aponta com clareza o que fazer na economia, uma vez que, a despeito da necessidade de se tomar medidas duras, não se pode desagradar a clientela de votos – os deputados – às vésperas da votação do impedimento.

Com o comando de Lula, Dilma tem atuado fortemente em dois campos com uma espécie de “pacotaço” anti-impeachment. No primeiro, com a distribuição ou promessa de cargos no segundo escalão para indicados por partidos médios e nanicos que envolvem a cifra até agora de R$ 38 bilhões para conquistar votos no varejo – com a derrota admitida na comissão, ela quer garantir 172 votos para barrar o afastamento com votos “sim” ou abstenções” até apreciação do caso pelo plenário no domingo.

No segundo, a presidente afrouxa as rédeas do ajuste fiscal para não contrariar aliados: aumenta a margem de gastos no projeto que revisa a meta fiscal de 2016 e flexibiliza as exigências cobradas pelo Ministério da Fazenda para conceder alívio no caixa dos Estados que pode chegar a R$ 45 bilhões nos próximos três anos, de olho na influência que os governadores podem ter nas bancadas de deputados federais.

Por outro lado, Temer e aliados acenam com espaço no novo governo para os mesmos partidos do “centrão” assediado por Dilma com o discurso de esperança misturado ao medo: somente o peemedebista teria capacidade de aglutinar as forças políticas, empresariais e econômicas para retirar o País da grave crise – a atual presidente não tem condições de conduzir o País nos próximos dois anos e meio.

O vice tem sido mais cauteloso do que Dilma em relação a ações a adotar para a economia, muito em função da forte reação que governistas sobre o único documento que o PMDB lançou de peso para a área, a “Ponte para o Futuro”.

Os dois lados sabem que, seja que for o vencedor, terão de buscar legitimidade para governar: a pesquisa Datafolha divulgada ontem que mostrou Dilma e Temer praticamente empatados na preferência dos entrevistados de serem alvos de impeachment mostra o fosso que terão de superar.

Os petistas prometem guerrilha ao governo do vice se forem apeados do Palácio do Planalto. Aliados de Temer, por sua vez, dizem reservadamente que, se este impedimento da presidente não passar, algum dos outros nove que estão na fila serão deflagrados pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), – a preferência é o da Ordem dos Advogados do Brasil.

Em qualquer dos dois cenários da batalha, uma saída para recuperar a economia será ainda mais difícil.

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