Temer não vai trazer crise do Rio para “colo” da União

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Temer não vai trazer crise do Rio para “colo” da União

Governo federal já avisou que não dará nova ajuda ao Estado, que se encontra em grave dificuldade financeira

Adriana Fernandes e Ricardo Brito

13 de outubro de 2016 | 16h36

(Luiz Fernando Pezão/Fábio Motta-Estadão)

(Luiz Fernando Pezão/Fábio Motta-Estadão)

O presidente Michel Temer não quer nem ouvir falar de ajudar novamente o Rio de Janeiro com um socorro financeiro do Tesouro Nacional. Isso não significa, no entanto, que o governo federal não saiba que a crise no Rio ainda vai dar muita dor de cabeça para todos nos próximos meses, principalmente por causa do impacto da falta de dinheiro para o funcionamento dos serviços públicos, como a segurança pública. Falta dinheiro até para combustível dos carros.

Temer não vai trazer o problema para o “colo” do governo federal como querem as autoridades do Estado, segundo aliados do presidente. Não há o que a União possa fazer, ponderam eles.

A União não vai botar um tostão no caixa fluminense sob o risco de comprometer a meta fiscal e ampliar a crise federativa. “Tem Pezão, pezinho e gordinho querendo ajuda. Todos os Estados”, disse um aliado do presidente ao comentar a pressão do governador licenciado do Rio, Luiz Fernando Pezão, por um novo repasse do governo federal, como mostrou reportagem da semana passada do Broadcast.

A recomendação é que o Estado comece logo a usar as medidas mais duras que estão à disposição na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para tentar contornar sua crise financeira. A lei tem instrumentos para reduzir os gastos públicos e começar a consertar as finanças do Estado, como corte de funções e cargos comissionados e redução da jornada de trabalho.

O governo federal argumenta que avisou ao Estado que a ajuda de R$ 2,9 bilhões dada ao Palácio da Guanabara antes dos Jogos Olímpicos seria definitiva, sem aportes adicionais.

É esperado um agravamento do quadro que pode resultar, inclusive, em manifestações populares no Estado. Por enquanto, o que pode ser feito é o reforço da segurança do Rio com o apoio das Forças Armadas. Outra ajuda em discussão é o governo assumir os empréstimos externos feitos pelo Estado e que não estão sendo honrados.

Na prática, o Estado já está em moratória há muito tempo, sem pagar fornecedores, credores e o Tesouro. Não se sabe é como sair de forma ordenada. O governador em exercício, Francisco Dornelles, ameaça com um novo pedido de calamidade pública para ter acesso a verba federal. Mas, em Brasília, o discurso é que a fonte secou.

O certo, por ora, é que as medidas em estudo pelo Estado serão as mais duras possíveis diante do atual cenário, como incentivo à demissão voluntária dos servidores. O que já veio a público é pouco. É o que dizem.

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