Temer quer a caneta para dar “choque” na economia

Temer quer a caneta para dar “choque” na economia

Aliados do peemedebista esperam decisão rápida do Senado para que ele assuma para valer o governo a fim de possa promover mudanças na condução da economia

Ricardo Brito e Adriana Fernandes

14 de abril de 2016 | 16h28

(Romero Jucá/Ed Ferreira-Estadão)

(Romero Jucá/Ed Ferreira-Estadão)

Dando como certo que o pedido de autorização da abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff passará na Câmara no domingo (17), aliados do vice-presidente Michel Temer querem acelerar a aprovação pelo Senado do afastamento da petista durante o julgamento. A ordem é: Temer precisa logo da caneta presidencial para dar um “choque” na economia brasileira e ganhar logo a confiança dos investidores. Esse processo tem que ser rápido na avaliação das lideranças do partido.

O cálculo de assessores do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), é que haja uma decisão da Casa apenas no dia 11 de maio, ou seja, haveria um hiato de 24 dias até que os senadores decidam se Dilma deixará o cargo temporariamente durante 180 dias até o julgamento final do crime de responsabilidade.

Afinado com Temer e, por essa razão, distanciado recentemente de Renan, o presidente em exercício do PMDB, senador Romero Jucá (RR), disse que é preciso encurtar ao máximo esse período, que chama de paralisação, para evitar a volta das desconfianças na economia. O presidente do Senado, que se reuniu ontem à noite com senadores petistas em sua residência oficial, dá mostras que não vai acelerar o rito.

Temer tem de governar plenamente, diz Jucá. Por isso, subentende-se trocar a equipe econômica, o coração político do governo. Uma das primeiras missões do presidente interino será criar um bloco parlamentar forte: enfrentar a instabilidade política com estabilidade política. Em seguida, acenar com as medidas para retomar a confiança e propor reformas – a previdenciária e a tributária estão em discussão.

Jucá reconhece que o hoje vice terá no máximo quatro meses de “lua de mel” para começar a mostrar resultados para a população, os setores produtivos e o mercado.

Nesse período em que Dilma deverá estar sendo julgada pelos senadores, Temer contará com uma oposição aguerrida de setores ligados ao PT e terá de acenar com medidas para se manter no cargo – a expectativa é que, até outubro, ocorra o julgamento da presidente afastada, sendo necessários ao menos 54 dos 81 votos. Também não devem contar com o apoio em peso do PSDB à sua gestão.

Interlocutores de Temer sabem que ele, se assumir, terá um governo de prazo curto, pouco mais de dois anos. As resistências de Renan, PT e PSDB advogam contra a urgência do novo governo.

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