Temer reforça a articulação para aprovar agenda no pós-impeachment

Presidente em exercício prepara terreno para garantir votação das medidas do ajuste logo após o afastamento definitivo de Dilma Rousseff

Ricardo Brito e Adriana Fernandes

23 de agosto de 2016 | 15h23

LUPA em vídeo – A semana decisiva do impeachment

O presidente em exercício, Michel Temer, montou uma operação de guerra para reforçar a articulação no Congresso a fim de aprovar sua agenda de ajuste fiscal. A ação – iniciada mesmo antes da provável aprovação do impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff – tem por objetivo evitar uma maior perda de confiança na política econômica.

Os primeiros sinais de confiança, que o governo havia conquistado desde a posse de Temer como interino, foram abalados nas últimas semanas com as concessões feitas nos projetos de renegociação da dívida dos Estados. As críticas do PSDB ao que consideram “bondades” do governo amplificaram o problema.

A ordem é afinar o discurso e dar apoio ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que virou alvo dos tucanos. Eles enxergaram no ministro o risco de uma candidatura à presidência em 2018. O próprio PMDB precisa preservar Meirelles em nome da sobrevivência do governo em 2017. Um dos integrantes da núcleo duro do governo comenta que ele também pode fazer parte de um “projeto maior” do partido daqui a dois anos.

A data final da fala de Dilma no julgamento do impedimento, prevista para 31 de agosto, coincide com o prazo para a equipe econômica enviar ao Congresso a peça orçamentária de 2017. Tudo poderá ocorrer no mesmo dia na capital federal.

A orientação do governo é não anunciar medidas de alta de impostos até o fim das eleições. Por isso, a dificuldade agora.

O momento é delicado porque a equipe econômica precisa sair da situação em que a confiança é baseada apenas no “gogó” e conseguir aprovar algo do ajuste até o fim das eleições. Nesse sentido, a aposta é a emenda da PEC do teto do gasto. A intenção é não permitir mudanças no cerne da PEC, como exceções para setores da saúde, educação e funcionalismo público. Ela é a âncora do ajuste fiscal de Temer, ao lado da reforma da Previdência, que só deve avançar no próximo ano.

Para isso, Temer começou a se envolver mais nas negociações. Afagou os tucanos em jantar na quarta-feira passada (17), prometendo-lhes espaço nas decisões econômicas. Também quis demonstrar força e coesão no Congresso ao promover um encontro na sexta-feira (19) com ministros da área econômica, líderes do governo e os presidentes das duas Casas Legislativas do Congresso.

Hoje, o presidente em exercício almoçou com líderes da Câmara a fim de evitar novas mudanças na votação dos destaques da renegociação das dívidas dos Estados com a União. Um movimento liderado por governadores das regiões Norte e Nordeste ameaçam impedir a aprovação da proposta caso o governo federal não conceda outras compensações para eles.

Toda essa movimentação de Temer tem por objetivo preparar o terreno para um governo efetivo “suave” após o impeachment. A reunião do G-20, na China, no início do próximo mês, e o pronunciamento que ele fará no feriado do dia 7 de setembro, seriam marcos da nova gestão.

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