Uma semana capital para inquilina Dilma

Uma semana capital para inquilina Dilma

Mesmo após baixa adesão em protestos, presidente enfrenta uma série de desafios nos próximos dias: meta fiscal de 2016, recurso no TSE que discute a campanha da petista e decisão sobre rito de impeachment pelo STF

Ricardo Brito e Adriana Fernandes

14 de dezembro de 2015 | 14h08

Dilma Rousseff (Dida Sampaio/Estadão)

Dilma Rousseff (Dida Sampaio/Estadão)

A presidente Dilma Rousseff completa hoje 68 anos sem motivos para comemorar. Ainda que a baixa adesão ontem (13) dos protestos que pediam sua saída seja motivo de alívio momentâneo, Dilma terá uma semana decisiva para seu futuro como inquilina no Palácio do Planalto no ano de 2016.

A principal das preocupações é a decisão que o Supremo Tribunal Federal (STF) pode tomar na quarta-feira (16) a respeito do rito a ser adotado no processo de impeachment. Dilma espera anular a decisão da Câmara que elegeu, em votação secreta, uma comissão mais favorável a seu impedimento.

A presidente conta ainda com a ajuda do presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), para manter o Legislativo em funcionamento no recesso para ter maiores chances para barrar o impeachment e retomar o rumo do País.

A maior parte da oposição, por outro lado, aposta em postergar uma decisão do processo para março, quando espera ter, a partir de um pior quadro econômico com PIB em queda e desemprego superando 10%, maior respaldo das manifestações de rua.

Um dia antes, o governo terá um desafio duplo. No Congresso, Dilma terá de conciliar a pressão do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que, conforme revelou o Broadcast, ameaça deixar o governo caso haja um abandono do superávit primário de 0,7% do PIB no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2016 e de aliados no Congresso e outros integrantes na Esplanada que defendem uma meta menor, “flexível” e “crível”.

Também na terça, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pautou um recurso que pede a investigação das contas da campanha de Dilma, podendo atingir, nesse caso, a presidente e também seu vice, Michel Temer.

Em meio a isso, o PMDB ameaça antecipar a convenção para romper com o governo prevista para março. O movimento do partido tenta se sintonizar com o anseio do PIB brasileiro. Na reveladora entrevista ao Estado, o presidente da Fiesp e peemedebista, Paulo Skaf – uma das principais vozes contra o ajuste do Executivo baseado na CPMF -, disse apoiar com entusiasmo o movimento pelo impedimento de Dilma.

Dilma, que tem a caneta e parte dos movimentos sociais, ainda não está interditada. Mas a semana será capital para seu futuro.

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