O que o Channel 4 pode ensinar à Vogue sobre campanha para Paraolimpíada

Regina Augusto

26 de agosto de 2016 | 16h35

 

Se a intenção da campanha concebida pelos atores Cleo Pires, Paulo Vilhena (embaixadores da Parolímpiada) e Agência Africa, veiculada pela Vogue esta semana, era dar visibilidade para os jogos que começam no dia 7, o objetivo foi mais do que alcançado. O ponto em discussão é como isso foi atingido. Pessoas com necessidades especiais e atletas paralímpicos são invisíveis ou, como diz minha amiga Mariliz Pereira Jorge, são como os gays nas novelas. Para quem concebeu a campanha (que não há dúvidas de ter sido bem-intencionada), eles devem continuar da mesma forma. No lugar deles, optou-se por colocar uns globais sarados, lindos e “perfeitos” numa empatia forçada.

 

Deu no que deu, muita polêmica, com explicações evasivas e irritadas de parte a parte. É inegável que trouxe à tona algo que está em nosso inconsciente coletivo. Como lidar com o diferente e com o fora do padrão? Esse é um tema que, obviamente, está muito mal resolvido na sociedade e é refletido pela mídia, pelos formadores de opinião e até pelo Comitê Paralímpico Internacional na escolha dos embaixadores e pela aprovação da polêmica campanha. Afinal de contas, Paraolimpíada é antes de tudo um evento para celebrar a inclusão, a superação e a tolerância com o ‘fora do normal’. Esse briefing ficou de lado na execução da campanha.

 

Essa polêmica toda me lembrou de uma das melhores campanhas que conheço sobre Jogos Paralímpicos, criada em 2012 pelo canal inglês Channel 4, que levou na época o prêmio máximo do Festival Internacional de Criatividade de Cannes, o GP de Filme. Este ano, eles fizeram uma nova versão, igualmente genial, na qual os protagonistas são os próprios atletas, intitulada “We’re the Superhumans”. Inspirador, divertido, leve, bem-humorado e emocionante.

 

Algo que parece óbvio, mas que a polêmica toda em torno da campanha com a dupla Cleo Pires e Paulo Vilhena demonstrou que ainda não é.

 

Confira abaixo o filme “We’re the Superhumans” que coloca atletas no centro deste que é um território onde eles devem brilhar como são, sem photoshops e nos revela que a imperfeição é comovente.