A resiliência da classe C
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A resiliência da classe C

Márcia De Chiara

05 de março de 2015 | 21h50

A classe C, que foi o motor do consumo da economia nos últimos anos, está pessimista em 2015, mas, por enquanto, está disposta a arregaçar as mangas para não dar marcha à ré e perder posições conquistadas na pirâmide de estratificação social. Pelo menos isso é o que revela um estudo do instituto de pesquisa Data Popular, especializado em baixa renda.

Enquete realizada com 3.050 pessoas em todo o País com renda pessoal mensal entre R$ 338,01 e R$ 1.184, entre os  dias 20 e 25 de fevereiro, revela que mais da metade (55%) dos entrevistados espera uma piora no emprego este ano. Os mais pessimistas estão na região Sul (81%) e os menos pessimistas no Nordeste (68%).

Também em relação ao salário, os resultados não são animadores: 35% acreditam que os aumentos salariais ficarão abaixo da inflação em 2015, enquanto 49% acham que pelo menos vão conseguir acompanhar os índices de preços nos dissídios.

No entanto, a carga de pessimismo aumenta quando a questão é inflação: 79% dos entrevistados esperam aumento de preços este ano e, mais uma vez, os mais pessimistas estão no Sul (88%) e os menos pessimistas no Norte e Nordeste (80%).

arte__consumo

O olhar cauteloso dos consumidores de classe C em relação ao comportamento dos preços explica-se: o desembolso desses brasileiros com tarifas de água, luz e telefone, por exemplo, compromete fatias expressivas do orçamento, superando de longe o gasto das camadas mais abastadas. E neste início de ano, com tarifaço capitaneado pela energia elétrica que deve encarecer mais de 50% em 2015, essa população será a mais afetada.

Apesar do orçamento apertado, a classe C não vai deixar se abater, na opinião do presidente do instituto Data Popular, Renato Meireles. “A crise na economia existe e está dada”, diz ele. Mas o que os resultados da pesquisa mostram é que essa população, acostumada com crises, já está se “virando”. “42%dos trabalhadores da classe C estão fazendo ‘bico’ para complementar a renda”, ressalta Meirelles.

Outro dado relevante é que 62% dos entrevistados estão buscando uma renda extra e uma parcela relevante  adotou uma estratégia anticrise: 81% economizam nas contas de manutenção da casa (água, luz, telefone, por exemplo) e 79% comparam preços na hora de comprar.

“Pesquisar preço, jogar com os pagamentos aproveitando a carência de 30 dias do cartão de crédito e buscar receita extra são as três estratégias que a classe C está usando para enfrentar os tempos bicudos”, diz Meirelles. Na sua avaliação, essa população vai fazer de tudo para não perder o padrão de consumo conquistado. Neste ano, ele calcula que a massa de renda no bolso da classe C deve somar R$ 1,35 trilhão, cifra 71% maior do que era 2005, descontada a inflação do período.

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