Até as lojas da 25 de Março fazem promoções para espantar a crise
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Até as lojas da 25 de Março fazem promoções para espantar a crise

Márcia De Chiara

10 de dezembro de 2015 | 05h00

varejo

Tradicionalmente conhecido por preços baixos, até o comércio da região da rua 25 de Março decidiu este ano fazer promoções para dar um empurrão nas vendas de Natal, que estão devagar por causa da crise. Isso pode fazer com que a diferença de preço de um mesmo item vendido na região e nos shoppings, que costuma ser significativa, seja neste ano ainda maior. Com o aperto no consumo e o medo de entrar em 2016 com estoque alto, as lojas do maior polo de comércio popular da América Latina, que fica no centro da capital paulista, adotaram práticas comuns nos shopping centers.

O consumidor que percorre a região encontra produtos em oferta, sorteio de prêmios, a possibilidade de parcelar o pagamento no cartão de crédito sem acréscimo e de ganhar bônus para a próxima compra. Até a exigência de gasto mínimo ou da compra de um número determinado de peças foi abolida este ano, especialmente nas lojas de bijuterias. “Antes o valor mínimo para compra no varejo era de R$ 30. Agora está liberado. É a crise”, avisava na última sexta-feira a vendedora da Lumme, loja especializada em bijuterias. Na semana passada, era possível encontrar na loja correntes com pingentes folheados a ouro (18 quilates) por R$29,90.

RUA 25 DE março cortada

Comerciantes da rua 25 de Março fazem promoções para alavancar as vendas (Foto: Clayton de Souza/Estadão)

Eduardo Ansarah, diretor da União dos Lojistas da 25 de Março e Adjacências (Univinco), explica que, nos últimos anos, esta é primeira vez que os lojistas da região fazem uma campanha promocional de Natal. O mote é pouco original: “Presente com preço de lembrancinha”. Mas a expectativa é que tenha algum efeito e ao menos garanta um crescimento de 5% no valor nominal da receita ante 2014.

Se a projeção de vendas se confirmar, o resultado não cobrirá a inflação acumulada neste ano, que passa de 10%. Também não alcança o crescimento de vendas obtido no Natal do ano passado, que foi de 10% sobre o ano anterior. Pesquisa da SPTuris revela que o comércio da região da 25 de Março movimenta R$ 120 milhões por dia. No Natal, pode chegar a R$ 300 milhões. A mesma pesquisa mostra que o principal motivo de atração de consumidores para a região é o preço baixo, com 73,2% das respostas.

mapa_comercio_centrosp_5col cortado

Volta ao passado. “Fazemos qualquer negócio”, diz Ansarah, repetindo uma frase comum entre os comerciantes árabes que formaram o polo atacadista. Segundo ele, a ordem hoje é negociar com o consumidor e não perder venda. “Estamos repetindo uma prática dos nossos antepassados.” Ele, que é a terceira geração de família de origem árabe e comanda o Grupo Jorge Ansarah, conta que sua loja, especializada em malharia, tem 30 produtos em oferta. Assim como a varejista, o consumidor pode encontrar no interior de outras lojas da região “dicas de compras”, que são os produtos em promoção.

Além do corte no preço, Ansarah explica que negociou com fabricantes de peso, como Lupo e Puket, o sorteio de prêmios na compra dos produtos das marcas, uma viagem no valor de R$ 7 mil, tablet, vale-compra e até uma motocicleta infantil elétrica. Na loja Bendita Seja, outra varejista em promoção, quem compra este mês ganha 15% do valor em bônus para abater da próxima compra, em janeiro ou fevereiro. “Queremos incentivar a volta do cliente à loja”, diz o sócio, Gilberto Alves.

Pierre Sarruf, diretor da Univinco e da loja Rei do Armarinho, especializada em enfeites e artigos de decoração, notou que neste ano cresceu na região o fluxo de consumidores de classe média em busca de preço mais em conta.

Com o cenário de crise, Claudia Hurias, assessora da associação, recomenda que o consumidor “chore” para ganhar mais desconto. Ela diz que os lojistas acumularam estoque por conta do enfraquecimento das vendas ao longo do ano. “O problema é que as vendas no atacado na região caíram muito.”

Claudia explica que, como o consumidor está com medo de gastar por causa da crise, as lojas resolveram investir em promoção. Por isso, ela acredita que a diferença hoje entre o preço da loja de shopping e da região da 25 de Março seja maior. De toda forma, vale a pena pesquisar antes de bater o martelo, porque também há variações significativas de preços entre lojas da própria região da 25 de Março.

Além de adotar as promoções e ser mais flexível nas condições da pagamento, neste ano houve um reforço no policiamento da região e na limpeza para atrair mais consumidores, diz o diretor da Univinco. As ruas, por exemplo, são varridas a cada duas horas.

Mais conteúdo sobre:

Varejo Estadão; Varejo; consumo