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Com a crise, cidades do interior ampliam a sua fatia no consumo

Márcia De Chiara

03 de maio de 2016 | 19h24

Apesar de a crise ter afetado as compras de pobres e ricos de norte a sul do País, o aperto no bolso deve acentuar neste ano a tendência de avanço da fatia das cidades do interior no bolo total de consumo em detrimento das capitais.

Projeções da consultoria IPC Marketing, especializada em mapear os gastos dos brasileiros, indicam que 70,3% dos R$ 3,9 trilhões de consumo esperados para este ano devem ocorrer nas cidades do interior do Brasil e 29,7% nas capitais. Em 2015, as participações entre interior e capital foram de 70% e 30%, respectivamente.

“As capitais sentiram mais o baque da crise”, afirma Marcos Pazzini, responsável pelo estudo e diretor da consultoria. Ele observa que o efeito da crise é maior nas capitais porque o emprego está mais atrelado à indústria e ao setor de setor de serviços. Já nas cidades do interior a geração de renda está ligada ao emprego em serviços públicos e ao agronegócio, um dos poucos setores que vão bem.

Classes sociais. Nas contas da consultoria, pelo segundo ano consecutivo o consumo vai dar marcha à ré. Deve cair 3,3% este ano, depois de ter recuado 4% no ano passado.

Além da interiorização, a crise, como era de se esperar, deve concentrar o consumo nos estratos de maior renda. A classe A será única que deve ampliar a sua participação no consumo total neste ano. A sua fatia era de 12,9% no ano passado e deve subir para 13,4% em 2016, aponta o estudo.

As demais classes devem diminuir a sua fatia no bolo entre 2015 e 2016. Nas classes D/E, o recuo deve ser de 10,2% para 10,1%; na C, de 33,7% para 33,6% e na B, de 43,2% para 42,9%. A classe B deve ter a maior retração entre todos os estratos sociais porque ela reúne os trabalhadores com maiores salários, argumenta o consultor.

O estudo usa a classificação da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa (Abep). Por esse critério, é levado em conta a posse de bens e também a renda das famílias.

Pazzini explica que, como os mais ricos têm a renda menos atrelada a salário e mais ligada a investimentos e ganhos do mercado financeiro, eles são menos afetados pela crise. É que o aumento do desemprego é apontado pelo brasileiros como o principal fator para o enfraquecimento do consumo.

Contradição. O estudo mostra que houve um aumento no número de empresas ativas no País. Em 2015 eram 18,6 milhões em operação e, neste ano, são 19 milhões. “O aumento do número de empresas é reflexo da crise e não se trata de uma contradição”, observa Pazzini.

Pela primeira vez o estudo mapeou o porte dessas empresas ativas e constatou que 13 milhões ou 69% delas são microempresas ou microempreendedores individuais. São pessoas que perderam o emprego formal e se cadastraram como microempresários ou microempreendedores individuais para continuarem prestando serviços porque os antigos patrões quiseram reduzir os gastos com encargos sociais. “Essas microempresas não geram postos de trabalho”, ressalta o consultor.

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