Intenção de compra é a menor em 14 anos

ESG

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Intenção de compra é a menor em 14 anos

Márcia De Chiara

07 de abril de 2016 | 20h29

O consumo das famílias, que já foi ruim no início deste ano, deve ficar ainda pior daqui para frente. A intenção de compras de bens duráveis do segundo trimestre é a menor para o período em 14 anos. Cerca de 40% dos paulistanos pretendem ir às compras no segundo trimestre, aponta a pesquisa de intenção de compras feita pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar) em parceria com o Programa de Administração de Varejo (Provar) da Fundação Instituto de Administração (FIA).

O resultado para o período abril/junho deste ano só perde para o segundo trimestre de 2002, quando apenas 30,2% dos entrevistados se declararam, na época, dispostos a consumir. O fraco desempenho esperado para o segundo trimestre está aquém da intenção de compras do primeiro trimestre deste ano (41,2%) e do mesmo período de 2015 (46,6%).

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“A crise no consumo tende a se aprofundar”, prevê Claudio Felisoni de Angelo, presidente do Ibevar. Ele projeta retração de 2,2% no volume de vendas do varejo ampliado e dessazonalizado, que inclui materiais de construção e veículos, no segundo trimestre, ante um recuo de 1,5% que, nas suas contas, deve ter ocorrido no primeiro trimestre deste ano, já que o IBGE não apurou os dados do período.

Na previsão de Felisoni não estão consideradas as influências sazonais. Em maio, por exemplo, ocorre o Dia das Mães, que é a segunda data mais importante de vendas para o varejo depois do Natal.

Renda e emprego em queda, inflação e juros em alta, e menos sobra de dinheiro após quitar as despesas básicas devem tirar o impulso do consumo. Felisoni ressalta um número da pesquisa que chama a atenção. Depois de pagar todas as contas básicas de água, luz, e quitar as despesas com moradia, alimentação, transporte e educação, devem sobrar no bolso do paulistano para gastar 6% da sua renda. No primeiro trimestre deste ano, essa parcela era bem maior, estava em 11%. “Isso é reflexo da queda na renda média real da população brasileira”, diz Nuno Fouto, diretor do Ibevar.

Viagens. A retração na intenção de compra é generalizada neste trimestre. A pesquisa mostra que de treze segmentos pesquisados, dez registraram queda, quando comparados com o mesmo período de 2015. A freada ocorre nos segmentos em que o desembolso é maior, como viagens (- 8%); móveis (- 2%); linha branca (-1,4%); eletroeletrônicos, telefone celular e veículos ( 1,2%). Só se salvam dessa paradeira nas compras cine e foto, material de construção e itens de vestuário, que registraram crescimento. “Independentemente do que acontecer no cenário político daqui ara frente, este ano já foi para o consumo”, opina Felisoni.

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