Mercado consumidor brasileiro é um ativo ‘extraordinário’
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Mercado consumidor brasileiro é um ativo ‘extraordinário’

Márcia De Chiara

06 Maio 2015 | 12h36

O Brasil tem um ativo “extraordinário” como sociedade entre os países emergentes: 70% dos trabalhadores estão hoje na economia formal e 30% na informalidade, o que dá sustentação para um grande mercado de consumo. “Este é uma ativo que não existe no mundo emergente”, afirmou na semana passada a uma plateia com cerca cem empresários do setor atacadista, em São Paulo, Luiz Carlos Mendonça de Barros. Ele é ex-presidente do BNDES e ex-ministro de Comunicações e atualmente preside o conselho da Foton no Brasil, maior fabricante chinesa de caminhões.

Segundo Mendonça de Barros, a economia brasileira passa hoje por uma terapia recessiva porque não fez os ajustes que deveria ter realizado três anos atrás. Mas, nem por isso, ele considera o quadro desesperador. “Se eu fizer uma levantamento hoje de como estão os negócios, todo mundo vai responder que estão um desgraça, que o Brasil vai virar uma Argentina. Mas isso não é verdade.”

Luiz Carlos Mendonça de Barros, presidente do conselho da Foton, recomenda aos empresários que tenham 'um olho no peixe e outro no gato'

Luiz Carlos Mendonça de Barros, presidente do conselho da Foton, recomenda aos empresários que tenham ‘um olho no peixe e outro no gato’

Para Mendonça de Barros, os tempos serão difíceis para a economia brasileira até o final do ano que vem, com inflação alta e recessão. Mas ele acredita que, passado o ajuste, o País inicia um novo e longo período de crescimento. O fundamento para isso, segundo presidente do conselho da Foton no Brasil, é o grande mercado consumidor brasileiro, sustentado pela formalização do emprego. Com a recessão, “a formalização pode cair um pouco, mas o quadro não vai mudar”, previu.

Ele contou que em um  debate recente do qual participou nos Estados Unidos, um ex-ministro do Peru presente ao evento relatou que em seu país a situação era exatamente oposta à do Brasil, com 70% dos trabalhadores na informalidade e apenas 30% formais.

Um ponto destacado pelo economista no processo de ajuste pelo qual o País está passando para colocar a casa em ordem foi a recente publicação do balanço da Petrobrás. Nesse ponto, Mendonça de Barros faz coro com a presidente Dilma Rousseff ao afirmar que, com a divulgação das demonstrações financeiras, a empresa vira uma página. “O balanço da Petrobrás hoje é o mais perfeito que existe na indústria do petróleo porque foi feito algo que nenhuma empresa do setor faz, que é a marcação a mercado dos ativos da companhia.”

Com essas mudanças, o economista acredita que a análise que prevalecia até poucos meses atrás de que o País caminhava para o precipício não é válida. “Hoje estamos nos afastando do precipício e é preciso ter um plano de voo para os negócios que não só leve em consideração as dificuldades dos próximos dois anos, mas também que mantenha acesa a capacidade de olhar para frente e de tomar as decisões corretas. É preciso ter um olho no peixe e outro no gato”, recomendou.

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