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Venda de iogurte cai pela primeira vez

Márcia De Chiara

02 de maio de 2016 | 20h25

As vendas de iogurte, símbolo do Plano Real e da ascensão da nova classe média brasileira, a classe C, caíram pela primeira vez em volume no ano passado, refletindo a situação difícil da renda e do emprego enfrentada pela maioria da população.

Segundo pesquisa da consultoria Nielsen, as quantidades comercializadas desse item recuaram 2,6% em 2015 em relação ao ano anterior. Foi a primeira retração da série de vendas apurada pela consultoria desde 2005.

“O iogurte, ano após ano, era o produto top dez em taxa de crescimento”, apontou Daniela Spinha de Toledo, diretora de varejo da consultoria. Entre 2005 e 2009, por exemplo, as vendas de iogurte em volume tinham crescido 6% ao ano, em média. De 2010 a 2014, desaceleraram para 4%, mas ainda eram positivas.

Daniela ressaltou que o desempenho do iogurte mostra como o cenário macroeconômico vem impactando a cesta de compra. “Com a recessão, o brasileiro está mudando o comportamento de compras, levando para casa menos supérfluos e mais itens básicos voltados para o consumo familiar dentro do lar.” Os dados foram apresentados pela diretora da consultoria durante a abertura da 32ª Feira e Congresso de Gestão Internacional em Supermercados da Associação Paulista de Supermercados (Apas), que ocorre esta semana em São Paulo.

O iogurte não se trata de uma exceção no desempenho dos supermercados. O volume de vendas de uma cesta de 131 categorias de produtos, entre alimentos, bebidas e itens de higiene e limpeza, auditada pela consultoria, caiu 1,2% no ano passado em relação a 2014 em todo o País. No período imediatamente anterior, essa mesma cesta havia crescido 3,6% em volume de vendas.

Para este ano, Daniela espera uma nova retração de vendas da cesta em volume, de 2,1%. O avanço do desemprego, que atinge mais de 10% da população economicamente ativa do País, deve ser responsável por metade dessa retração nos volumes, calculou a diretora.

Pé no freio. A moderação do brasileiro na hora de ir às compras bateu no faturamento dos supermercados brasileiros que encerraram o ano passado com queda real, descontada a inflação, de 3,6% ante 2014, apesar de ter ampliado em 1,1% o número de lojas.

No Estado de São Paulo, o principal mercado consumidor do País, o desempenho não foi diferente. Segundo a Apas, o faturamento caiu 3,8% em relação a 2014, descontada a inflação do período, e a abertura de lojas avançou 1,8%. Com o aumento no número de lojas e queda no faturamento, a venda por metro quadro no setor supermercadista encolheu no ano passado.

Sanzovo explicou que a abertura de lojas ocorrida 2015 refletiu o cenário do passado, quando a economia estava em pleno crescimento. “Claro que novos investimentos que estavam programados não foram iniciados este ano. Estamos aguardando uma melhora da situação econômica”, disse o vice-presidente da Abras.

Ele acredita que a tendência de consolidação entre redes de porte médio deve ganhar força. “Essa consolidação deve ocorrer especialmente com empresas que não estão bem estruturadas e acabam sucumbindo em momentos de crise.”