Volume de itens básicos vendidos nos supermercados tem maior queda em 24 anos
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Volume de itens básicos vendidos nos supermercados tem maior queda em 24 anos

Márcia De Chiara

29 de março de 2016 | 20h54

O brasileiro decidiu usar a última alternativa para economizar na compra de itens básicos: cortar as quantidades de alimentos, bebidas e artigos de higiene e limpeza que leva para casa.

Em 2015, o volume de vendas de uma cesta com 131 categorias de produtos diminuiu 1,2% em relação a 2014, aponta a pesquisa da consultoria Nielsen. Foi a maior queda nas quantidades na série desde 1992, antes do início Plano Real, que entrou em vigor em julho de 1994. A maior retração registrada anteriormente nas quantidades havia sido de 1,1% em 2003. A consultoria apura o dado desde 1990.

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Por causa do acirramento da crise, marcada pelo aumento do desemprego, da inflação e da queda na renda, o consumidor racionalizou as compras. Lenita Vargas Mattar, gerente de atendimento da Nielsen, explica que o brasileiro vem usando várias alternativas.

Primeiro, 61% dos consumidores reduziram as despesas com entretenimento fora do lar. Depois, boa parte foi às compras nas lojas de atacarejo, que misturam atacado com varejo, para economizar. Dados da Nielsen mostram que o volume de vendas  vendas do atacarejo cresceu 12,1% no ano passado e esse foi praticamente o único canal, ao lado das lojas de vizinhança, que aumentou as quantidades vendidas. O novo consumidor que frequenta loja de atacarejo levou 9% a mais de produtos para casa em 2015 e gastou 12% menos, revela a pesquisa.

Na sequência de alternativas para economizar, as idas às lojas para fazer compras foram reduzida em 4,3% no ano passado, mostra a pesquisa. Também as embalagens econômicas ganharam a preferência do consumidor, tanto é que 60% das categorias ampliaram as vendas por meio de tamanhos diferenciados. E, finalmente, houve a troca de marcas mais caras pelas mais baratas. “Metade das categorias apresentaram ‘trade down’”, diz a gerente. Por último, o consumidor reduziu as quantidades compradas nos supermercados e hipermercados. É importante destacar que nessa retração das quantidades não estão incluídas as vendas do atacarejo, ressalta Lenita.

Faturamento. Essa sequência de movimentos para economizar fez o faturamento dos supermercado despencar. Em 2015, a receita do setor, já descontada a inflação, caiu 3,39% em relação ao ano anterior. Foi a primeira retração real de faturamento do setor desde 2003, quando o recuo havia sido de 2,27% sobre 2002.

No ano passado, a receita do setor de supermercados atingiu R$ 315,8 bilhões e respondeu por 5,4% do Produto Interno Bruto (PIB), aponta a consultoria.

Para 2016, o presidente do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Sussumu Honda, espera uma nova queda de 1,8%. Se a projeção se confirmar, em dois anos os supermercados devem acumular perdas superiores a 5%. “É queda sobre queda”, observa Honda.

Ele mantém a perspectiva de recuo nas vendas para o ano, apesar da ligeira recuperação ocorrida no mês passado. Em fevereiro último, que teve 29 dias e Carnaval, as vendas nos supermercados brasileiros aumentaram 2,92% em relação ao mesmo mês do ano anterior, descontada a inflação. Em janeiro, tinha ocorrido queda de 3,38% na receita em bases anuais. Com os resultados de janeiro e fevereiro, o setor acumula até agora retração de 0,38% no faturamento deste ano.