A cerveja das "tchecas" será vendida em São Paulo

Marili Ribeiro

20 Maio 2011 | 21h16


João Carlos Noronha (de camisa branca) e Lucas Afonso

Um dos herdeiros da Cimentos Nassau, João Carlos Santos Noronha, 42 anos, quis investir em um negócio próprio. “O ramo da família está estável e anda bem”, diz. Escolheu o segmento cervejeiro, após avaliar o potencial de expansão no Nordeste, onde estão baseados os negócios da família. Associou-se ao empresário Dante Peló, ex-distribuidor da Brahma, marca do portfólio da líder Ambev, e, há pouco mais de dois anos, começou a pôr de pé a CBBP – Companhia Brasileira de Bebidas Premium.

Seria mais uma empresa a entrar no aguerrido mercado de bebidas, se não tivesse apelado para uma inusitada estratégia de marketing. Lançaram a marca com uma ação que se valeu das mídias sociais para pregar uma “pegadinha”, no estilo tão difundido pelo Pânico, da Rede TV!. O programa ficou na condição de vítima ao adotar as loiras ditas “tchecas” inventadas pela CBBP. Na verdade, eram garotas-propaganda da nova cerveja. Com a revelação, a cervejaria ganhou repercussão na mídia. E fez isso antes mesmo de ter o produto disponível para venda.

A fábrica, em Pindoretama (CE), a 40 quilômetros de Fortaleza, erguida a um custo de R$ 87 milhões, entregará o primeiro lote em quatro semanas em Fortaleza e Recife. Mas a intenção é chegar a estabelecimentos do Rio, São Paulo e Belo Horizonte. Distribuidoras entraram em contato tão logo veio à tona a história das falsas tchecas.

Segundo o diretor de marketing da estreante CBBP, Lucas Afonso, tudo foi feito de caso pensado. “Queríamos criar uma demanda reprimida, capaz de gerar desejo de se consumir a Proibida”, explica ele. Embora pareça estranho, é esse o nome da cerveja, que na publicidade vem acompanhado do slogan: “Libere a Proibida”.

A Proibida começa cutucando a gigante Ambev, já que a marca Skol é patrocinadora do Pânico. A justificativa para essa tática de marketing, segundo Noronha, foram “as barreiras de acesso” presentes no mercado de comunicação. “Todos os espaços de propaganda na televisão estão tomados pelas grandes cervejarias”, diz. “O avanço da comunicação digital é que está acabando com esse monopólio. As redes sociais mostram como o brasileiro está mal servido. Na Alemanha há mais de 1,5 mil marcas. No Brasil, temos menos de 300.”

Projeto

Ciente de que iria enfrentar um gigante eficiente, Noronha trabalha no projeto de uma cervejaria nordestina há anos. Fez a lição de casa estudando os balanços da Ambev. “O mercado de cerveja cresce há dez anos consecutivos no Brasil. As margens de lucro são bem acima da média de muitos outros setores. No Nordeste, o consumo ainda é muito pequeno, cerca de 35 litros por pessoa por ano. No mundo, essa média gira em torno de 110 litros.”

Quando as duas fábricas da CBBP estiverem operando a plena carga, terão capacidade para produzir 150 milhões de litros da Proibida. Esse volume representa um sexto da capacidade de produção estimada para a nova fábrica que a Ambev constrói em Pernambuco. Essa disparidade, porém, não intimida Noronha. “Se fizermos um trabalho muito bom seremos concorrentes em alguns anos. Agora é só intenção”, diz. “Acredito que temos vantagens competitivas. Nossas instalações tem o que há de melhor em tecnologia no setor. Vamos fazer um bom produto por um bom preço.”