Brahma desce redondo, no Peru

Marili Ribeiro

02 de dezembro de 2009 | 10h20

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Vários blogs já publicaram, com comentários muito bem humorados, a história do comercial da cerveja Brahma (veja acima) que, feito para o mercado peruano, se apropria do conceito do “desce redondo”. Uma assinatura amplamente usada pelo fabricante aqui no Brasil para vender a marca Skol. Ambas do portfólio da megacervejaria AmBev.

Duas questões ficam no ar. A primeira delas envolve diretos sobre propriedade intelectual desse tipo de criação que, em tese, pertenceria à agência brasileira F/Nazca Saatchi & Saatchi, que desenvolveu, há décadas, o tema “desce redondo” utilizado nas campanhas da Skol. Consultada, mandou dizer apenas ter sido pega de surpresa.

O outro ponto, deixando de lado os direitos autorais, diz respeito aos interesses da AmBev, que viu no sucesso do conceito uma boa estratégia para difundir a sua marca global: declaradamente a Brahma. Um recibo do sucesso criativo da agência. Afinal, mesmo sendo a Skol líder de vendas no Brasil com 33% do mercado cervejeiro, no exterior é um rótulo sem futuro, já que pertence ao portfólio de outra companhia. Logo, a empresa não poderia investir nela internacionalmente.

No fim das contas, o que sobra mesmo é a conclusão de que cerveja Pilsen é tudo igual. A diferença está no investimento em propaganda para gerar “um clima” em torno do produto. Ou seja, na hora de tomar a loira gelada, o que conta mesmo é preço: para que gastar mais se tudo dá na mesma? Há na praça marca de combate pela metade do preço dessas vestidas por pesadas verbas em marketing.

ATUALIZAÇÃO: A AmBev manda informar que a campanha peruana é da safra da agência Saatchi & Saatchi, que, por sinal, é sócia da F/Nazca no Brasil. Logo, não rola desrepeito à propriedade intelectual.

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