Brasil ganha cerveja de mosteiro

Marili Ribeiro

21 de maio de 2010 | 18h23

Mosteiro de Weltenburger

Mosteiro de Weltenburger

A cervejaria Petrópolis, dona das marcas Itaipava e Crystal, convenceu um milenar produtor alemão da Baviera que seria capaz de reproduzir para o mercado nacional a reverenciada marca Weltenburger em quatro variações. Três mestres cervejeiros vieram do mosteiro beneditino, onde essa cerveja é fabricada desde 1050, para passar um mês no Brasil e, assim, garantir que a tradicional receita fosse feita na unidade de Teresópolis, no Rio.

Para tal, resultado, a Petrópolis vai importar toda a matéria prima necessária.Com isso, a Barock Dunkel chega ao mercado custando algo em torno de R$ 15,00.

A aposta da Petrópolis, que detém 9,7% de participação do mercado consumidor nacional pelos últimos dados do instituto Nielsen, seria questão de sobrevivência. “Temos que explorar outros mercados, como é o caso do segmento de marcas superpremiun, se quisermos expandir os negócios no eixo Rio-São Paulo”, avalia o diretor de marketing da empresa Douglas Costa.

Com boa presença nos mercados do Sudeste e Centro-oeste, a empresa enfrenta dura concorrência da grupo Schincariol no Nordeste, e a disposição de brigar por cada milímetro de mercado em todo o País da gigante AmBev, que detém 69% de participação das vendas totais de cerveja no Brasil.

O executivo da Petrópolis rebate que, ao qualificar sua linha de produção para fabricar uma cerveja tão qualificada, a Petrópolis – que enfrentou problemas com o fisco e investigações de sonegação de impostos – estaria limpando sua imagem para atrair investidores estrangeiros.

Entre os candidatos estaria o megagrupo inglês SABMiller. Depois que o grupo holandês Heineken comprou a mexicana Femsa no começo do ano, que no Brasil produzia as marcas Kaiser e Sol, só faltaria ele entrar em um dos mercados mais promissores no segmento de cerveja. O Brasil é o quarto produtor mundial, abaixo de China, EUA e Rússia, mas ainda tem um consumo Per capita baixo de cerca de 47 litros por ano por pessoa. A Alemanha consome 120 litros por pessoa/ano.

“Não estamos à venda”, garante Douglas. “Essa conversa é recorrente. Cada hora aparece um novo interessado”, desconversa. Mas ele também admite que os investimentos em marcas Premium, que começou em 2008 com o lançamento da Petra, objetiva dar um “lustro na imagem” da empresa. Mas isso, segundo ele, para poder avançar em outros segmentos além do de cerveja de março. “A velocidade de introdução de produtos Premium foi maior do que a educação do público consumidor”, explica ele. “Agora temos que desenvolver a cultura de consumo de cervejas especiais”.

A Petrópolis vai investir entre 3% e 4% de sua verba de marketing de R$ 60 milhões por ano em ações para estimular o consumidor a beber marcas Premium. Para acompanhar essa estratégia, quatro tipos da cerveja da região de Weltenburger chegarão ao mercado em um intervalo de 60 dias. A estréia, esta semana, será com a cerveja Barock Dunkel (puro malte escuro tipo abadia). Na sequência virão as cervejas Anno 1050, Urtyp Hell e Weissbier Dunkel, “Todas serão produzidas de acordo com as receitas e as normas da Weltenburger”, explica Costa.

SOBRE A WELTENBURGER
Esta é a primeira vez que a marca alemã licencia um de seus produtos para ser produzido em outro país. A cerveja original é produzida desde 1050 em um mosteiro que fica na região do Rio Danúbio e é exportada para países como China, Japão e Estados Unidos.

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