Butiques de criação perdem fôlego

Marili Ribeiro

20 de abril de 2010 | 20h41

Tanto no Brasil como lá fora a onda das chamadas butiques de criação em contraposição às agências tradicionais está em fase de retração. Lá fora, muitas delas ou cresceram e perderam as características que as diferenciavam das demais _ como o fato de serem menores e mais ágeis e focadas em criação _, ou então se associaram às grandes redes globais de serviços de marketing.

As butiques também sofreram nos últimos dois anos os reflexos da crise econômica global, assim como nos outros setores da economia. O meio publicitário começou a viver um período de consolidação e as butiques não resistiram aos assédio dos grandes conglomerados de comunicação. O corte de verbas dos grandes anuncinantes provocou queda de faturamento entre 15% e 20% em muitas das redes globais de agência e fez com as agências menores perdessem o gás para manter seus negócios no mesmo ritmo de antes.

No Brasil, a separação da badalada butique inglesa Nitro da Santa Clara foi oficializada hoje. A parceria sobreviveu quase há dois anos mas não rendeu bons frutos.

“Não ganhamos receita com eles por aqui, mas eles ganharam com a nossa participação e contribuições em concorrências globais lá fora.” Com esta frase, Jaime Greene, presidente da agência de propaganda Santa Clara, explica o fim da joint venture que a sua agência manteve, por quase dois anos, com a rede de butiques de criação Nitro, do australiano Chris Clarke

A Nitro, como várias agências de seu porte e estrutura, teve perda de receita com a retração de anunciantes em função da crise econômica global e, em junho do ano passado, acabou vendida por cerca de US$ 50 milhões para a empresa de consultoria e serviços digitais Sapient. Nos últimos tempos, a rede Nitro perdeu clientes como a Kraft e os Chocolates Mars.

Presente em 55 países, no Brasil a Nitro mantinha parceria com a Santa Clara. Isso fez com que os novos dirigentes do negócio passassem uma semana em São Paulo para conversar com os sócios da agência brasileira. “Percebemos que não tínhamos nada em comum”, conta Greene. “Achamos que não seria prudente persistir na parceria. Assim, eles vão buscar outra agência para atendê-los e nós vamos seguir nosso caminho.”

Há mais de um mês, os donos da Santa Clara conversaram com o antigo parceiro, Chris Clarke e, desde então, preferiram avançar em outra direção. “Nesta quinta-feira tenho uma reunião com um outro grupo internacional com quem já vínhamos conversando”, acrescenta Greene.

A Santa Clara também enfrentou problemas em 2009 com perda de clientes. Mas, desde o começo deste ano, recuperou sua posição. Conquistou nove novas contas de marketing e voltou a recontratar. Agora, com 60 funcionários, a agência projeta atingir um faturamento de R$ 17 milhões, o que vai representar alta de 35% em relação a 2009.

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