Caboré

Marili Ribeiro

07 de dezembro de 2009 | 17h19

cabore

O meio publicitário é festivo por natureza. Há premiação o ano todo para que os profissionais do meio exibam o talento. Mas, entre os inúmeros eventos, o que pode ser considerado referência no mercado interno é a entrega da corujinha do Caboré. Este ano, a competição capitaneada pela Grupo Meio & Mensagem, completa 30 anos e vai entregar 13 estatuetas na noite de hoje, em que se comemora o dia da publicidade.

Apesar de todo o clima festivo pela disputa dos troféus em formato de coruja – em especial entre os 39 concorrentes entre agências de publicidade, produdores de comerciais, dirigentes de empresas de comunicação e anunciantes -, há um clima de tensão no ar. Os números referentes à movimentação publicitária conhecidos até o momento não estimulam grandes comemorações. Até setembro, os valores acumulados dos investimentos em mídia praticamente empatavam com o mesmo período do ano anterior, com cerca de R$ 15,3 bilhões, pelos dados do Projeto Inter-Meios. Uma expansão de apenas 0,4% no período em relação a 2009.

“Se houver crescimento este ano, ele se deve por conta dos resultados deste último trimestre”, avalia José Carlos Salles Neto, presidente do Grupo Meio e Mensagem. O balanço final do ano fica pronto em fevereiro de 2010.

Como o próprio Salles Neto reconhece, a possível expansão se dará sobre uma base de comparação baixa, já que, no último trimestre do ano passado em função da crise, o mercado travou. Muitos investimentos em ações de marketing foram suspensos. Salles Neto divisa para este ano um crescimento de 3% ante o ano passado puxado pelos últimos três meses. A retomada acontece principalmente em decorrência da melhora do mercado imobiliário e do varejo dirigido para as classes de menor renda.

Mas não é só a crise econômica global que afetou o mercado publicitário local, embora aqui não haja perda de receita ao contrário de lá fora, onde a queda da receita é projetada em torno de 7% e assusta todos os envolvidos no meio. O negócio de comunicação também muda de características, com o avanço dos meios digitais. A grande questão segue sendo os preços praticados na internet para veiculação de publicidade. Eles não geram faturamento compatível com o modelo de negócio montado pelas agências e veículos de comunicação, acostumados a cobrar pelos padrões da mídia de massa. Na internet, a audiência é segmentada e as dimensões são outras. Essa discussão deve dominar os bastidores das empresas no próximo ano, mais do que nunca.

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