Cães na passarela da moda

Marili Ribeiro

24 de dezembro de 2009 | 12h18

petfashion
Pet Fashion Week em Nova York

Em vez de ‘top models’ nas passarelas, estarão os ‘top dogs’ desfilando. Na platéia, em vez de aficionados por moda, os afeiçoados por bichos de estimação. É disso que trata o Pet Fashion Week, evento calcado no modelo das feiras de moda que, no exterior onde já é realizado, mobiliza audiência e negócios. A versão brasileira estréia em São Paulo, em abril de 2010.

Na última edição do desfile de cães este ano em Nova York, onde a idéia começou e prosperou há cinco anos, os realizadores contabilizaram US$ 7 milhões em vendas diretas no ambiente do evento. “Foi um resultado 20% abaixo do ano anterior por conta da crise global”, estima o idealizador da semana de moda dedicado aos pets, o empresário americano Mario Di Fante, diretor executivo da MD Production. “Os EUA são o maior mercado para produtos e serviços para animais de estimação, movimentando cerca de US$ 43 bilhões por ano”.

A vinda da Pet Fashion Week para o Brasil, ela também acontece em Tóquio, se deve ao interesse da empresa de eventos Aktuell, que tem em seu portfólio a realização da competição de hipismo Athina Onassis International Horse e o circuito de barcos Class 1 em parceira com o empresário Eike Batista. “O Brasil já é o segundo mercado consumidor de produtos para animais de estimação”, explica Rodrigo Rivellino, sócio e presidente da Aktuell. “Será uma ótima oportunidade para trazermos para cá marcas americanas do segmento de pet que tem produtos ainda inexistentes por aqui”.

Empresas como Les Poochs, fabricante de perfumes e produtos de beleza para cachorros, ou a Dog Gone Smart, que produz camas, sacos e almofadas de microfibra anti-alérgicos para animais, ou ainda a Margoff, que se dedica ao que os organizadores do evento chamam de “alta-costura para pets” estão na programação.

No Brasil, segundo mapeamento da Associação Nacional dos Fabricantes de Alimentos para Animais de Estimação (Anafal) existem 100 mil produtos para cachorros registrados no País, 40 mil lojas para animais em shopping Center, seis mil clínicas veterinárias e 150 centros de treinamento de cães. Ao todo, o mercado faturou R$ 9,2 bilhões em 2008, com um crescimento de 12% em relação ao ano anterior. Aliás, nos últimos cinco anos, a expansão do segmento tem se mantido na casa dos dois dígitos ao ano.

Um negócio com esse ritmo de crescimento não passa despercebido. No sul do País, a empresa Sierra Móveis entrou no segmento com camas de luxo para pets com preço que podem chegar a R$ 3.000,00 a peça. Nos EUA, a sofisticação no atendimento aos animais de estimação chegou ao setor aéreo. Por lá opera a Pet Airways, voltada para o transporte de bichos no mercado interno. A propaganda apela à mensagem: “seu animalzinho viaja confortavelmente em cabine de vôo, e não na área de carga. Experiência de 1ª classe”. Ao que tudo indica, o mundo cão está virando um luxo.

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