Combate às peças fantasmas

Marili Ribeiro

08 de setembro de 2009 | 18h27

Um comunicado dos organizadores do festival The One Show – instituição que dá prêmios a trabalhos publicitários, sediada em Nova Iorque desde 1975, e que reúne entre seus membros diretores de arte e redatores respeitados mundialmente nesse negócio – deu um sinal de vitalidade para o mercado do setor. Pena que a ação tenha sido motivada por uma peça brasileira criada pela agência DM9DDB, inscrita na última competição e causou recente polêmica.

Há uma clara desconfiança de que o anúncio “Tsunami” seja fantasma. Ele teria sido criado para a ONG em defesa do meio ambiente WWF. Ser “fantasma” no mundo da publicidade significa uma peça feita apenas para concorrer em festivais do meio, sem ter sido aprovado pelo anunciante e efetivamente veiculado em algum canal de comunicação. Esse recurso vem sendo usado pelas agências para ganhar prêmios e valorizar seus passes no mundo dos negócios. Todos os anos, entre as inúmeras disputas que acontecem mundo afora, surgem suspeitas. Sempre provocam um diz-que-me-diz nos eventos, mas as reações não costumam avançar além disso. E, como é natural, a história se repete.

Desta vez a peça da DM9 causou furor por ter apelado para um tema delicado aos americanos, os acontecimento de 11 de setembro que derrubaram as Torres Gêmeas em Manhattan, e vem repercutindo na mídia mundial negativamente desde a semana passada. (Veja o post abaixo “Tsunami DM9DDB“).

O mercado dos negócio da propaganda se ressentiu. Na era digital não dá mais para esconder em baixo do tapete os erros. Tudo acaba vindo à tona, e bem mais rápido. Isso pode ser positivo para o negócio da propaganda a médio prazo. Limpa a área de devaneios criativos e a torna mais eficiente e conectada com à realidade. A iniciativa dos organizadores do The One Show de endurecer as regras em relação aos participantes pode ser um ponto de partida. Agora, quem for pego inscrevendo peças fantasmas será penalizado e não poderá concorrer por cinco anos.

A turma da DM9 errou feio. Seu presidente já veio a público se redimir. Mais do que isso, eles fariam uma megafesta amanhã 09/09/09 (número que consideram emblemático para a história da agência) e cancelaram, adiando para dia 29. Lógico, têm o propósito de acalmar os ânimos.

No mercado publicitário nacional, os últimos acontecimentos abriram espaço para várias reflexões no estilo “atire a primeira pedra”. Entre os profissionais que ouvi há comentários como: “Junto com Cannes (o maior festival internacional de publicidade), ganhar um Lápis (o formato do troféu do The One Show) é um dos prêmios mais desejados da propaganda mundial. O rigor das medidas adotadas aumenta o peso do prêmio e, acho, pode afetar outros festivais que venham a adotar exigências semelhantes mais duras”. Novos tempos.

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