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Conteúdo na web deve ser pago

Marili Ribeiro

12 de novembro de 2009 | 11h44


Roberto Civita

“Tráfego intenso no site, mas sem obter receita com isso, não vale nada”. E ainda: “A pregação de que o conteúdo ‘quer ser livre’ na rede é simpática, mas não paga conta”, foram frases usadas pelo presidente do Conselho de Administração e diretor editorial do Grupo Abril, Roberto Civita, para endossar o que considera inevitável para as empresas jornalísticas que terão de cobrar por seu conteúdo nos meios digitais.
Um ponto de vista que vem se consolidando entre os empresários do setor. O magnata de mídia, Rupert Murdoch, por exemplo, anunciou esta semana que estuda bloquear o acesso a jornais de seu conglomerado, como o americano Wall Street Journal, até mesmo em sites de buscas como Google, por considerar que essa prática é parasitária ao auferir receita sem arcar com os custos.

“É ilusório achar que a publicidade vai pagar por nosso conteúdo”, disse Civita durante apresentação no III Fórum da Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER), ontem em São Paulo, que discutiu “o futuro digital que preserve o impresso”. O dirigente de um dos grandes conglomerados de publicações no País, como a semanal de informações Veja, acha que há formas de se cobrar pelo conteúdo na era digital que ainda não entraram na pauta de discussões e brinca fazendo uma citação que ouviu também em palestra: “Se conseguiram fazer com que as pessoas paguem por água engarrafada, porque nós não vamos conseguir que paguem por nosso conteúdo online”.

A verdade é que nos dois últimos anos mais intensamente, em função da queda das receitas publicitárias, as redações dos maiores veículos de comunicação impressa, seja revistas ou jornais, encolheram globalmente entre 25% e 30%, segundo estimativas de executivos do meio, mencionadas no evento. O desafio de como pagar redações com profissionais qualificados para fornecer relatos apurados dos fatos é tema recorrente entre as preocupações sobre o futuro desse negócio. Ninguém tem dúvidas de que a informação crível do jornalismo de qualidade é a essência desse negócio, não importa em que plataforma vá se difundir.

Sob o ponto de vista de que as marcas editorias são um importante chamariz para a audiência digital, o ex-presidente da ANER e presidente executivo da Editora Abril, Jairo Leal, fez um exposição otimista sobre o futuro dos veículos impressos, em particular as revistas no Brasil, graças à expansão econômica que se desenha no horizonte nos próximos anos. Fora eventos como, lógico, a realização da Copa do Mundo e da Olimpíada no País.

“A internet deve ser aliada e não inimiga”, pregou ele. “A web não altera o hábito de leitura de revistas e pode até mesmo ser um importante canal de vendas”, acrescentou. “Hoje onde mais se vende assinaturas da Veja é no seu próprio site”, exemplificou. Com isso, Leal quer justificar sua projeção de que a participação do segmento revistas no bolo publicitário poderá dobrar nos próximos anos, e chegar a 15% do total do faturamento anual de investimentos em mídia, que deve fechar 2009 em R$ 22 bilhões.

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