Conversa de bistrô

Marili Ribeiro

19 de junho de 2009 | 18h47

Jurados de várias categorias reunidos na difícil tarefa de selecionar o melhor da publicidade mundial também se reúnem na mesa de bar. Ou melhor, de bistrô. E, como conta Marcelo Heidrich, da agência Ponto de Criação, um tema esquentou a discussão na noite de quinta-feira: “até onde a marca pode brincar com a sua comunicação arriscando ser mal compreendida e interpretada pelo seu consumidor?”. Ele cita a campanha da montadora Chrysler na Bélgica. Ela encantou pelo apelo à ironia. Sob a frase de dupla leitura “Made Baby On Board” em um adesivo, que é ícone recorrente nas culturas ocidentais, aplicou-se um casal se divertindo dentro do carro. Não é uma propaganda politicamente correta. O que pode ser ótimo, já que excessos são quase sempre chatos. Segundo Heidrich, essa campanha deve ganhar prêmios em ações promocionais, júri do qual participa. Para o publicitário, essa reação é uma demonstração de como a mensagem em tom adequado pode atingir o consumidor sem que ele se sinta agredido. E, mais ainda, como os anunciantes e agências estão mais dispostos a arriscar. “Andamos tão intocáveis na relação entre marca e consumidor, que esquecemos como apenas conversar com ele pode ser eficiente”, conta ele. Há movimentos de profissionais do meio publicitário nessa onda, ou seja, sem querer parecer tão correto, mas ser divertido e fazer a marca se destacar. Hoje em dia, arricar pode ser lucrativo.

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