Enchente vira mote de propaganda

Marili Ribeiro

29 de dezembro de 2009 | 20h04

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A alagada Marginal do rio Pinheiros no trecho próximo ao centro de abastecimento Ceagesp, em 8 de dezembro – dia de uma das maiores enchentes da história da cidade de São Paulo – foi palco acidental de uma inusitada ação de marketing. Um motorista ao volante de um jipe da Troller, marca do portfólio da Ford, atravessou com sucesso a água acumulada acima do para-brisa do carro. A cena, registrada ao vivo pela rede Record de televisão, virou anúncio veiculado na tevê e segue agora na internet com a busca pelo motorista.

“Não decidimos o que vamos fazer quando o localizarmos. Suspeito que seja um sujeito acostumado ao carro, que é um modelo equipado com snorkel (entrada de ar) superior, o que permite enfrentar a enchente”, conta o gerente geral da Troller, Rodrigo Lourenço. Toda a ação foi feita a toque de caixa, tão logo identificada a oportunidade. A primeira iniciativa foi negociar com a emissora o uso das imagens. Eles cederam, desde que o anúncio fosse veiculado na Record. Assim foi feito e, entre os dias 23 e 26, a peça criada pela agência JWT exibia a travessia e convidava o autor a se identificar no site http://www.troller.com.br/motorista/.

Até ontem, 166 pessoas se inscreveram respondendo porque eram o dono do Troller. Ao todo, 93 mil visitaram o site e 88 mil assistiram à versão exibida no YouTube, onde deixaram 700 comentários.
A verba de marketing da divisão Troller é pequena quando comparada à das outras marcas da Ford. São vendidos cerca de 140 carros por mês, principalmente no Nordeste, onde a marca nasceu antes de ser comprada pela Ford, e no Sudeste. A expectativa, admite Lourenço, é estimular vendas em São Paulo, onde as enchentes têm sido recorrentes, o que torna o interesse pelo veículo maior. “Mas há também um esforço para dar maior visibilidade à marca”, diz.

Entre os comentários feitos na internet, há os que mencionam o fato de haver uma concessionária da marca próxima ao Ceagesp, o que poderia sugerir que toda a ação não teria sido acidental, mas proposital. Lourenço jura que não houve manipulação e que a empresa sequer recomenda aquele tipo de travessia.

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