Erro de platéia

Marili Ribeiro

19 de junho de 2011 | 17h15

Atrás de todo o PR (ou Public Relation) há um jornalista adormecido. O brasileiro Ronald Mincheff, presidente da assessoria de imprensa Edelman do Brasil e jurado do País na categoria PR, teve seu dia de “jornalista”. Nas mãos com a informação quentinha sobre as quatro peças brasileiras classificadas na lista preliminar (shortlist), ele não resistiu e tuitou a informação. Levou apenas alguns minutos para o site especializado do meio publicitário Meio & Mensagem reproduzir a sua revelação.

Jornalistas adoram furos e os PR sabem bem disso. Afinal, uma de suas tarefas é, justamente, driblar esses profissionais abelhudos que querem antecipar a pauta de coletivas que eles adoram organizar. Cientes disso, os organizadores do Cannes Lions pedem aos jurados das categorias em competição que mantenham discrição em relação aos profissionais de comunicação antes de ser divulgada a lista oficial.

Ao que tudo indica, Mincheff esqueceu da própria essência da atividade que exerce. Revelou o desempenho brasileiro antes da hora. Feito o estrago, foi lá e apagou o que havia escrito.
Mas, a divulgação oficial do evento confirmou os quatro classificados do Brasil, como ele havia anunciado.

Para quem não conhece, fica aqui uma rápida definição dos profissionais de PR: são assessores que trabalham em defesa dos interesses de seus clientes/empresas junto aos vários públicos com que eles se relacionam. Cuidam da imagem e do relacionamento desses clientes em diferentes esferas.

Já os jornalistas, em essência, não devem ter compromissos específicos com empresas/clientes, mas sim com a divulgação de fatos que interessem ao leitor dos veículos para os quais trabalham. Cada uma dessas funções da cadeia da comunicação tem seu charme. Mas, mesmo que alguns digam o contrário, são praticamente opostas em suas atuações.

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