Hyundai invade mídia para celebrar prêmio

Marili Ribeiro

31 de outubro de 2010 | 21h59

Com 14 páginas de anúncio em sequência nos principais jornais do País e revistas semanais deste final de semana, a montadora Hyundai invadiu a mídia. Publicou uma campanha de fôlego e, mesmo que não tenha sido paga pelos custos de tabela dos veículos de comunicação, não custou barato. Não é uma ação de lançamento de carro novo, nem uma promoção para desovar estoques. Trata-se de uma celebração por ter sido eleita a empresa mais admirada do Brasil entre as montadoras no levantamento da revista Carta Capital.

Mesmo que a agência da empresa diga que não, soa como uma espécie desagravo à punição a que foi submetida pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar). Na última sexta-feira, dia 29, a instituição que guarda pelo bom andamento da prática publicitária divulgou carta pública denunciando a Hyundai por descumprimento das normas do Conar.

Alan Strozenberg, sócio e vice-presidente de criação da agência de propaganda Z+, responsável pelas peças publicitárias, garante que a campanha já estava programada. “É um prêmio importante porque destaca atributos relevantes da Hyundai” diz ele. E acrescenta: “É da estratégia da empresa buscar presença de impacto em suas ações de comunicação”. Essa frase é uma resposta à pergunta se era necessária uma campanha tão intensa, com 14 páginas seguidas, para festejar um prêmio.

Especificamente sobre a punição do Conar, Strozenberg informa que a empresa está avaliando a situação e ainda não tem um resposta.

O Conar alega ter dado direito de defesa tanto a agência Z +quanto a Hyundai, ambas associadas à instituição.  Ao todo, 11 peças publicitárias foram motivo de protestos por usarem pesquisas e dados que davam superioridade à Hyundai no mercado, embora os dados não comprovassem a tese. Muitas das fontes utilizadas nos anúncios não refletiam as efetivas conclusões das pesquisas originais.

 A punição de vir a público contar esse fato é rara na história do Conar. Normalmente as empresas acolhem as recomendações discutidas em plenário. A recomendação para que a empresa não usasse desse recurso não foi respeitada.

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