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Mobilização anticensura

Marili Ribeiro

14 de novembro de 2009 | 14h53

Para o publicitário Alexandre Gama, presidente da agência NeogamaBBH, censura na imprensa só cabe porque os jornais têm poder, mesmo que se tente difundir o contrário com o apelo de que jornalismo está caducando e perdendo relevância na era digital. E, para ele, o maior risco para uma sociedade é tentar calar um canal de comunicação que expõe aquilo que pode não ser agradável de ler, ver ou ouvir.

Ruy Lindenberg, vice-presidente da agência Leo Burnett, acrescenta ainda que a tecnologia e as redes sociais tornam muito difícil censurar alguma coisa. Basta lembrar que a censura foi quebrada nas recentes eleições do Irã, com a oposição botando literalmente a boca no mundo. E também informações sobre a China circulam, apesar de o fechado regime político controlar a web. Em Cuba, graças ao irreverente blog Generacion Y, as mazelas de Fidel & família são expostas, mesmo com a ditadura.

Os dois e mais cinco outras agências (Lew’Lara/TBWA, Borghierh/Lowe, Young&Rubicam, Fischer+Fala! e Ogilvy) fizeram anúncios denunciando a censura à qual o jornal Estadão está submetido pela família Sarney, que impede que sejam divulgados dados sobre investigação que envolve o filho do senador José Sarney, há mais de cem dias. A proposta é do jornal especializado em marketing, Propaganda & Marketing , que habitualmente convida profissionais do meio para exercerem em suas páginas a criatividade em temas relativos ao negócio. Desta vez, resolveram tocar em assunto político e polêmico.

Gama não só aderiu como resolveu ir mais longe e propõe no seu anúncio uma lista de adesão que seja enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) que está para julgar o caso. “Acho que, mais do que um exercício solo de criação, temos que mobilizar a comunidade contra a passividade diante de situações como essa”. Por isso, o seu anúncio remete ao hot site www.censuranao.com.br. Aliás, uma descoberta o surpreedeu: o termo “censura não” sequer tinha registro no Brasil.

Lindenberg criou um título riscado, como tivesse sido censurado e abaixo um código de realidade aumentada e a informação: Acesse www.leoburnett.com.br/censura e mostre este anúncio para sua webcam. Quando o leitor aproxima o anúncio da webcam ele lê o título que estava riscado: “Tentar censurar informação nos dias de hoje é uma atitude tão burra quanto a própria censura. A Leo Burnett é contra a censura. Não deixar o Estadão falar é não deixar a gente ouvir.”

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