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MULHERICES – O poder das madeixas

Marili Ribeiro

11 de outubro de 2009 | 17h35

ministra francesa Christine Lagarde
ministra americana Kathleen Sebelius

A semanal de informações Veja pontificou na edição que está nas bancas (14/10/2009) que, para envergar cabelos brancos, as mulheres têm que ser poderosas e bonitas. Não dá para ser comum. Para reforçar seu conceito (ou “pré”) cita como exemplos Christine Lagarde, 53 anos, ministra da Economia da França, e Kathleen Sebelius, 61, ex-governadora do Kansas e atual ocupante da pasta da Saúde no governo Barack Obama. Ainda que com ares de modernidade, ao registrar que essas mulheres assumiram seus cabelos ao natural, a matéria reforça o velho julgamento que impõe ao sexo frágil a obrigatoriedade de esconder o passar dos anos.

A verdade dura e crua é que os cavalheiros seguem convivendo com os seus cabelos brancos, sem ter que sofrer o pandemônio dos retoques habituais nas tinturas que dizem amenizar o inevitável: as madeixas brancas que não param de se expandir. Sim, é verdade, há exemplares constrangedores de políticos e apresentadores de programas televisivos que exibem tons acaju, ou preto asa de Graúna, em vastos implantes capilares. Fato que mais assusta do que suaviza a idade. Mas são poucos os adeptos, para o bem da paisagem geral e prejuízo da indústria de cosméticos.

Às mulheres parece não restar escolha, além de correr para o cabeleireiro. Prega o dito popular que elas não envelhecem, ficam louras. A condenação pública segue a linha da associação dos cabelos grisalhos à velhice inoperante e desprezível pela sociedade. Como se ficar velho não fosse um processo intrínseco à espécie, seja de que sexo for. A questão então, mais uma vez, é por que, como diz a revista, “só mulheres muito poderosas se sentem livres para assumir a brancura capilar?”. Não há respostas aparentes, embora nos EUA já tenha surgido um movimento que pode ajudar as maduras a se assumirem. É o gray power, numa alusão às manifestações de orgulho gay, que, no passado, também era assunto tabu. E hoje, bom… Afinal, porque não permitir um cabelo como o das senhorinhas das fotos acima, mesmo não sendo “ministra” de algum governo relevante?.

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